domingo, 2 de outubro de 2011

Gosto especialmente do outono. Gosto de manhãs orvalhadas com o sol a nascer ainda refletindo todo o calor do verão. Gosto da rotina do regresso, às aulas ao trabalho ao dia a dia planeado num ritual de horários e sequencias diárias. Da organização que o regresso ao trabalho impõe. Horários para cumprir, a escola, preparação de lanches  e de mochilas, sem tempo para muita introspecção.
Gosto dos entardeceres lânguidos e que se prolongam para lá do sol posto num convite a preguiçosa conversa sobre o mundo e a vida. E de observar as aves migratórias que se reunem em bandos e ao fim da tarde atravessam as margens do rio encetando a sua longa e longinqua travessia para outros climas em busca de novos ares quem sabe com aroma a jasmim.
Gosto dos trabalhos agrícolas, apanhar fruta, recolher as abóboras e o feijão, desfolhar o milho, vindimar e acompanhar a azáfama nos lagares, sentir o cheiro do mosto na fermentação. Gosto de lembrar o cheiro nas cozinhas onde abundavam frascos e tigelas na confecção de compotas e de marmelada reluzente e dourada. Merendar pão de centeio com nozes e comer as primeiras castanhas com a camisa ainda colada. Gosto de sentir saudade destes gostos.
E gosto do outono porque é um recomeçar de novo, é o renovar de esperanças é dar uma nova oportunidade à vida e agarrar a poesia da vida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E chegou setembro


Sem sol para partilhar e com a poeira assente tal como gostarias.
As férias terminaram e com elas o sonho.
Retomar o ritmo dos dias compridos que se estendem para lá do pôr do sol com a noite a chegar mais cedo é tarefa por vezes árdua.
O sono vai acumular-se à espera de uma manhã que tarda em chegar.
As folhas das árvores vão amarelecer e cair e atapetar os jardins e parques da cidade.
As flores vão desaparecer das varandas e dos jardins e dos alpendres.
As ondas do mar vão crescer e desfazer-se em espuma branca na areia da praia.
O vento vai soprar mais forte e as nuvens cinzentas alcatifar o céu.
Os livros vão amontoar-se à espera de vez.
E eu enroscada no sofá, esperarei que uma chávena de chá ou de café fumegante atire para bem longe as névoas que pairam sobre mim e me impedem de ver as estrelas, quero ver uma estrela, apenas a estrela polar.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Biscoitos


Biscoitos (receita da Avó)
500 gr de farinha sem fermento, 250 gr de açúcar, 250 ml de leite, 30 gr de manteiga, uma pitada de canela (a gosto).
Amasse tudo juntando o leite pouco a pouco até obter uma massa rija e bem homogénea. Estenda a massa sobre a mesa e molde os biscoitos dando-lhe as formas que desejar. Coza em tabuleiros untados e polvilhados com farinha, durante cerca de 15 minutos em forno pré-aquecido a cerca de 180º.
Para quem não gostar de canela, pode utilizar raspa de limão/laranja

domingo, 28 de agosto de 2011

caminhar e viver para ....

Atingir o estado de felicidade é a busca de todo o ser humano, mas nem sempre seguimos o melhor caminho para o conseguir.
Sorrir é o primeiro passo;
Depois o caminho é ir caminhando, juntando cordialidade com educação, respeito, algum humor e algum afecto.
há caminhos que se cruzam, laços que se atam, outros que se soltam. Palavras que não é necessário pronunciar, outras que temos que repetir à exaustão. Gestos simples que adivinhamos.
Por vezes basta um olhar para nos dar conforto, estabilidade e resistência.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

encosta-te a mim - Jorge Palma

Só se vê bem com o coração...

«Se queres um amigo, cativa-me! ....
Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos....
Se vieres às quatro horas, às três, já eu começo a estar feliz.»

Encanto no Porto

Suspirando e vivendo

Quando a vida nos contempla
do alto dos quarenta e quatro
e sentimos que nem tudo nos dá a paz necessária
sabemos que os procedimentos foram correctos
mas o interlocutor não recebeu os sinais
e se os recebeu, ignorou-os.
então para quê? e porquê?
mais vale esquecer,
esquecer, não!
pois será impossível...
o melhor é não lembrar,
e tentar
arrumar no sótão das lembranças
e das memórias idas.
não vividas, apenas sofridas
sepultadas entre lágrimas e risos
entre sonhos e nuvens densas.



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

outros pensaram ....

«Não deixes entrar nenhum estranho enquanto eu ‘tiver fora.
Ela soltou um fundo suspiro. Não há uma só alma neste mundo que não seja um estranho para mim, disse.»

A função da mãe

A mãe tem a função fundamental que é estar presente sempre que os filhos precisam dela, e de os educar  para que dela não venham a precisar.


domingo, 10 de julho de 2011

Quase nada

Quem quase ganhou perdeu. Quem quase amou, não amou.
Se o mar quase existisse, não haveria ondas, nem o vento levaria para longe a espuma.
Se a primavera quase surgisse, não haveria flores, nem os ninhos dos pássaros, nem orvalho para brincar com as manhãs que nascem.
Se o sol quase brilhasse os dias não existiam, era a noite que prolongaria o seu sono ne imensidão do céu.
Porquê escolher o nada, quando se pode ter tudo, por uma vez que seja.
Prefiro ganhar uma vez apenas a perder...
o aroma do teu cabelo, provar o beijo da tua boca ou sentir a força da tua mão na minha.
A hora errada é quase sempre a hora certa.