sábado, 21 de janeiro de 2012

Na minha escola




Na minha escola havia poesia e livros e lápis e cadernos. Havia alunos e amigos e professores e risos e alegria. Havia tristeza, desapontamento, desilusão e mágoa. Havia festas e trabalho e muita dedicação. Havia tudo o que numa escola deve haver. Haviamos nós de nos encontrar.




o meu silencio

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Uma folha para colorir o teu dia

Gostava de ser folha de um livro. Se fosse folha de um livro seria, de umas vezes com letras seguidas, dando forma a um texto complexo e intrigante. Como complexos e intrigantes são os designios da vida.
Poderia ser uma folha colorida repleta de desenhos feitos por meninos de cinco anos. Porquê meninos de cinco anos? Porque os meninos de cinco anos sonham e vivem o sonho, e o sonho materializa-se. E eu também gostaria de ver os meus sonhos materializados. E para os meninos de cinco anos existem fadas que fazem dançar as letras. E eu gostaria de ser uma folha onde as letras dançassem para com elas poderes brincar e pronunciar as palavras que os teus olhos falam.
Também poderia ser uma folha branca para que alguém muito, muito apaixonado escrevesse palavras bonitas repletas de ternura e sentimento.
Gostaria de ser uma folha de um livro muito importante, com palavras muito dificeis, para que alguém descobrisse o seu significado e num grande suspiro fechá-lo e abraçá-lo nos seus braços fortes e compridos. Uma folha pintada de verde para dar esperança e alento ao lápis que timidamente esboçasse uns sarrabiscos por mim adiante, ou uma folha azul da cor do céu onde espreita um raio de sol e fizesse despontar o teu sorriso. Noutras seria uma página de um livro infantil, colorido e divertido onde os duendes e a imaginação se cruzassem com as vidas vividas e sonhadas que guardamos e que vivem na nossa memória. Mas se me deixares eu quero ser uma página na tua vida, melhor eu quero completar o livro da tua vida, colorir as páginas em branco, pintar das cores do arco iris os teus sonhos e acordar com a luz dos teus olhos a refletir a cor de prata dos meus cabelos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Cálculo da vida

Sabes mafaldinha:
- és muito má a calcular a tua vida....
- má? quem?!
-és uma sucessão de equivocos e de enganos.
-Cálculo? qual? do matemático?!
-colocas sempre em primeiro lugar os afectos e as emoções e com isso perdes sucessivamente...
-uma sucessão? de Finobacci
-há esperança de um dia seres compreendida.
-quem compreenderia um espirito tão estranho?!
-o número de ouro...
-numa espiral...
-numa sociedade de interesses, oportunismos, espertezas sulistas e nortistas...
-o quê? quem?
-qualquer galdéria no norte o saberia...
-galdéria? e no sul?
-não! apenas damas
-negras ou brancas?
-brancas de origem negra
-quem vence?
-qual jogo?
-tende para infinito....

Palma -balada de um estranho

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domingo, 2 de outubro de 2011

Gosto especialmente do outono. Gosto de manhãs orvalhadas com o sol a nascer ainda refletindo todo o calor do verão. Gosto da rotina do regresso, às aulas ao trabalho ao dia a dia planeado num ritual de horários e sequencias diárias. Da organização que o regresso ao trabalho impõe. Horários para cumprir, a escola, preparação de lanches  e de mochilas, sem tempo para muita introspecção.
Gosto dos entardeceres lânguidos e que se prolongam para lá do sol posto num convite a preguiçosa conversa sobre o mundo e a vida. E de observar as aves migratórias que se reunem em bandos e ao fim da tarde atravessam as margens do rio encetando a sua longa e longinqua travessia para outros climas em busca de novos ares quem sabe com aroma a jasmim.
Gosto dos trabalhos agrícolas, apanhar fruta, recolher as abóboras e o feijão, desfolhar o milho, vindimar e acompanhar a azáfama nos lagares, sentir o cheiro do mosto na fermentação. Gosto de lembrar o cheiro nas cozinhas onde abundavam frascos e tigelas na confecção de compotas e de marmelada reluzente e dourada. Merendar pão de centeio com nozes e comer as primeiras castanhas com a camisa ainda colada. Gosto de sentir saudade destes gostos.
E gosto do outono porque é um recomeçar de novo, é o renovar de esperanças é dar uma nova oportunidade à vida e agarrar a poesia da vida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

E chegou setembro


Sem sol para partilhar e com a poeira assente tal como gostarias.
As férias terminaram e com elas o sonho.
Retomar o ritmo dos dias compridos que se estendem para lá do pôr do sol com a noite a chegar mais cedo é tarefa por vezes árdua.
O sono vai acumular-se à espera de uma manhã que tarda em chegar.
As folhas das árvores vão amarelecer e cair e atapetar os jardins e parques da cidade.
As flores vão desaparecer das varandas e dos jardins e dos alpendres.
As ondas do mar vão crescer e desfazer-se em espuma branca na areia da praia.
O vento vai soprar mais forte e as nuvens cinzentas alcatifar o céu.
Os livros vão amontoar-se à espera de vez.
E eu enroscada no sofá, esperarei que uma chávena de chá ou de café fumegante atire para bem longe as névoas que pairam sobre mim e me impedem de ver as estrelas, quero ver uma estrela, apenas a estrela polar.