Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Saudade é o sentimento que fica no nosso coração quando alguém não está junto de nós.
Saudade é quando a dor da distância se mede em meses e dias cada vez mais compridos.
Saudade é não saber como parar as lágrimas, não saber como vencer a dor do silencio.
Saudade é olhar o sul e nele ver a tua lua nascer.
Saudade são as horas contadas minuto a minuto numa ansia de te encontrar.
Saudade é quando os dias se tornam mais longos, para além do sol posto sem saber o que fazer com o pensamento.
Saudade é ouvir o riso do outro no silencio da noite, é ouvir a sua voz quando nos chamam.
Saudade é recordar com o mesmo carinho de então, o passado, as conversas, os risos, os olhares, as cumplicidades vividas.
Saudade é tu estares aqui mesmo quando apenas olho a tua fotografia.
Saudade é o caminho que nos fez feliz um dia.
Saudade é esperar que esse dia regresse!
Na minha escola havia poesia e livros e lápis e cadernos. Havia alunos e amigos e professores e risos e alegria. Havia tristeza, desapontamento, desilusão e mágoa. Havia festas e trabalho e muita dedicação. Havia tudo o que numa escola deve haver. Haviamos nós de nos encontrar.
Gostava de ser folha de um livro. Se fosse folha de um livro seria, de umas vezes com letras seguidas, dando forma a um texto complexo e intrigante. Como complexos e intrigantes são os designios da vida.
Poderia ser uma folha colorida repleta de desenhos feitos por meninos de cinco anos. Porquê meninos de cinco anos? Porque os meninos de cinco anos sonham e vivem o sonho, e o sonho materializa-se. E eu também gostaria de ver os meus sonhos materializados. E para os meninos de cinco anos existem fadas que fazem dançar as letras. E eu gostaria de ser uma folha onde as letras dançassem para com elas poderes brincar e pronunciar as palavras que os teus olhos falam.
Também poderia ser uma folha branca para que alguém muito, muito apaixonado escrevesse palavras bonitas repletas de ternura e sentimento.
Gostaria de ser uma folha de um livro muito importante, com palavras muito dificeis, para que alguém descobrisse o seu significado e num grande suspiro fechá-lo e abraçá-lo nos seus braços fortes e compridos. Uma folha pintada de verde para dar esperança e alento ao lápis que timidamente esboçasse uns sarrabiscos por mim adiante, ou uma folha azul da cor do céu onde espreita um raio de sol e fizesse despontar o teu sorriso. Noutras seria uma página de um livro infantil, colorido e divertido onde os duendes e a imaginação se cruzassem com as vidas vividas e sonhadas que guardamos e que vivem na nossa memória. Mas se me deixares eu quero ser uma página na tua vida, melhor eu quero completar o livro da tua vida, colorir as páginas em branco, pintar das cores do arco iris os teus sonhos e acordar com a luz dos teus olhos a refletir a cor de prata dos meus cabelos.
«o vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto/todas as coisas serviram para nos ensinar/a ardente perfeição da tua ausencia» Sophia in geografia
Busto inaugurado no Jardim Botânico pelo centenário da Universidade do Porto em 06 de Novembro
Sabes mafaldinha:
- és muito má a calcular a tua vida....
- má? quem?!
-és uma sucessão de equivocos e de enganos.
-Cálculo? qual? do matemático?!
-colocas sempre em primeiro lugar os afectos e as emoções e com isso perdes sucessivamente...
-uma sucessão? de Finobacci
-há esperança de um dia seres compreendida.
-quem compreenderia um espirito tão estranho?!
-o número de ouro...
-numa espiral...
-numa sociedade de interesses, oportunismos, espertezas sulistas e nortistas...
-o quê? quem?
-qualquer galdéria no norte o saberia...
-galdéria? e no sul?
-não! apenas damas
-negras ou brancas?
-brancas de origem negra
-quem vence?
-qual jogo?
-tende para infinito....