domingo, 27 de maio de 2012

A vida e o que vai dentro dela


Por vezes a vida apresenta-nos situações dificeis. Poderão derivar de problemas profissionais, familiares, de saude, passionais, etc. Todos passam por alguma destas situações ao longo da vida, quando não por todas mesmo e quantos por todas em simultâneo ou em catadupa. Há pessoas que enfrentam todos os problemas da vida sem uma queixa, sempre com um sorriso, sempre amáveis, como se alheados do mundo. Outros ficam quase como que paralisados, sem energia, psicologicamente desfeitos. Outros ainda refletem essa dor, esse mal estar na sua fisionomia, na sua conduta diária, sendo menos atentos, demonstrando menos paciencia, quase sempre exasperados com tudo e com todos.


Eu também não sou imune a estas situações e esses dias gostaria de poder rasgá-los do calendário para não precisar enfrentar o mundo. Perde-se a esperança e a motivação para continuar, temos que ir procurar energia nova, sem sabermos onde, Procuramos aqueles que amamos e pensamos nos amam também. Mas muitas vezes é nestas horas que encontramos novas deceções, aqueles a quem buscamos não estão lá. Sentimo-nos os únicos no mundo a sofrer. O nosso problema ganha imensidão. 


Procuramos o silencio, mas o silencio também magoa. Procuramos uma palavra amiga, mas por mais amiga que seja não é a palavra certa, não é aquela a palavra que nos acalma.


Nestes dias, gosto de me sentir aquecida pelo sol, gosto de ir sozinha para a beira do rio ou do mar, ouvir o barulho da água e olhar o horizonte sem o ver. 


Por vezes sonho que estou protegida por um olhar superior, mas quando olho em redor sinto a solidão do momento, quase sempre choro, muito mesmo, e o sal das lágrimas deixa-me as faces coradas e ardentes. Faz com que me sinta viva e esse efeito é surpreendente pois ajuda a carregar uma nova energia e a conseguir enfrentar os novos e difíceis amanhãs que chegam.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Favas à minha moda



-Óptimo!... Ah, destas favas, sim! Ó que fava! Que delícia! (...)
- Pois é cá a comidinha dos moços da Quinta! E cada pratada, que até suas Incelências se riam... Mas agora, aqui, o Sr. D. Jacinto, também vai engordar e enrijar!” (favas à moda de Tormes) 
Eça de Queiroz, in A Cidade e as Serras



foto: Mafaldinha

Adoro favas. 
Mas tem que ser as favas inteiras em vagem com o grão e a casca. Quando fui a S. Martinho tive o privilegio de me oferecerem um saco com favas tenrinhas de Ordonho. Aproveitei para matar as saudades das favas. Souberam-me muito bem, cá  andei eu a comer favas durante alguns dias! 
Consolei-me!

900 gr de favas ainda em vagem das quais se retirou o fio
1,5l de agua a ferver
uma linguiça de carne em rodelas
2 dentes de alho
azeite qb
um pouquinho de farinha para polvilhar

Cozem-se as favas apenas em agua e sal. Escorrem-se muito bem. Leva-se a lume brando um tacho com o fundo bem tapado de azeite e dois dentes de alho picados grosseiramente. Deixa-se estalar suavemente apenas para soltar o aroma e junta.se as favas bem escorridas, envolve-se para absorverem o azeite e o aroma do alho e junta-se a linguiça em rodelas. Polvilha-se com um pouco de farinha e envolve-se bem sem deixar cozer e estão prontas a servir.

Quando a primavera enche a natureza








fotos: Mafaldinha

domingo, 20 de maio de 2012

Bolo de laranja e nozes

Ingredientes
4 ovos
1dl de óleo
1 colher cha canela
Sumo e raspa de uma laranja
220 gr açucar
100 gr noz moída
200 gr farinha com fermento

Preparação

1.Batem-se as gemas com o açucar até obter uma mistura bem cremosa e esbranquiçada.
2.Junta-se a raspa e o sumo da laranja e continua-se a bater.
3.Acrescenta a canela, o óleo e a farinha peneirada.
4. Bate as claras em castelo bem firme e envolve na massa juntamente com as nozes moídas.
5.Leva a forno quente, em forma untada de manteiga e polvilhada de farinha, durante 30 minutos a 180º


foto: Mafaldinha
 Sugestão:
 fica muito bem se barrado com mel derretido ao qual seja adicionada uma colher de chá de canela
foto: Mafaldinha

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Cerejas





Doce de cereja


Ingredientes:
1, 500 Kg de cerejas descaroçadas

900 Gr de açúcar amarelo

1. Lavar as cerejas, tirar-lhe os pés e os caroços.
2. Colocar as cerejas numa panela, às camadas, alternadamente com o açúcar. Deixar a macerar aproximadamente 12 horas.
3. Passado o tempo, levar ao lume até atingir o ponto espadana. Depois de 10 minutos de arrefecimento coloca-se em boiões.



Uma delicia se:


                                                             1. servido com requeijão
2. servido com uma bola de gelado de baunilha

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quero viver


Sonho, penso, respiro e vejo o pôr do sol na minha varanda.
Não nego que a vida já me deu muitos desgostos, algumas lagrimas e muitas noites de insónia e horas e horas de pensamentos confusos.
Já me retirou muitos momentos de felicidade, de alegria e de bem estar.
Mas já me deu muitos motivos para sorrir, alguns momentos de pura felicidade, deu-me paz e vontade de viver...
Deu-me dias longos e noites compridas, rugas, olhar triste e um sorriso enorme.
Gosto de mim, de alguns dos meus defeitos e de algumas das minhas virtudes.
Aceito os pequenos pormenores que me distinguem e as grandes diferenças que me comparam.
Gosto de recordar os momentos passados com os amigos, gosto me rir das minhas pequenas desgraças, gosto de lembrar as horas felizes, gosto de uma boa conversa e de ver os que me rodeiam em paz e serenidade.
Gosto de abraços que tranquilizam, de sorrisos que acalmam e de palavras aconchegantes.
Gosto essencialmente de ser amada!



foto:Mafaldinha
Adoro VIVER!

sábado, 5 de maio de 2012

Para uma Mãe


foto:internet
Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Na distancia construimos pontes

Quando a distancia nos retira o que a vida nos dá, é injusto que assim seja, mas por isso existe a saudade e a recordação que moram no coração. 
São vidas sonhadas, guardadas para um dia, quem sabe se existirá. 
Seria fácil fazer promessas, adiar aventuras. Os riscos são muitos, nada prometemos.
 Mas sonhamos.
e vimos as luas passarem e as estrelas brilharem e mantemos este sonho guardado no nosso coração.
Até o sol sorri timidamente, também ele triste por não te ver.
As noites são frias, brilhantes e nuas.
Os nossos pensamentos atravessam oceanos para se encontrarem no limiar da esperança, transpõem fronteiras e cruzam os céus.
sonhamos um sonho lindo e viveremos esse sonho quando mais tarde nos apertarmos num abraço terno e sofrido.
Pensar no dia de amanhã dá-me tranquilidade. Vivo cada dia mais serena por saber que tu estás aí e que nem um hemisfério será capaz de nos separar.

construção da ponte sobre o rio Corgo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Gatos e livros

A inspiração quando chega encontra-me a trabalhar .... 

Dia mundial do livro

Hoje é dia mundial do livro. Não existe apenas um dia para ler um bom livro. Ler é meter o nariz numa caldeirada de letras, é tirar o pó com os dedos, folhear algumas páginas distraidamente. Um livro é um bem precioso, para o conhecer é preciso passar tempo com ele, observar o contorno da trama, dedicar-lhe tempo, acariciar-lhe a lombada, abraça-lo junto ao peito, percorrer amorosamente as estantes da livraria à procura daquele. Ou seja um livro é um amigo a quem cativamos e que nos cativa ou não. O livro transmite-nos emoções, partilha dos nossos sentimentos, faz companhia nos dias cinzentos e sombrios, dá-nos alegrias e enche-nos de auto estima, mas por vezes deixa-nos um sabor amargo, e sacode as tristezas das suas páginas sob os nossos olhos. Tal como os amigos podem ser novos ou velhos, com páginas amarelecidas pelo tempo ou de aspecto novo e brilhante.

Tenho uma lista de livros que quero ler, não sei se os vou ler um dia. Não sei sequer se terei vida suficiente para ler todos os livros que quero. Adoro receber presentes, como todas as raparigas, e em cada palavra que leio recebo um presente. Também tu apareceste em forma de presente, não és um livro, mas tens folhas ainda por decifrar. Mereces um fim feliz, tal como o dos livros, um mundo para além deste mundo em que penas, mas não conheces a rapariga que lê. Ela está bem na tua frente mas não vês o colorido que ela te aponta, porque não o consegues imaginar. A vida foi cruel contigo tal como acontece nas histórias traçadas em muitos livros.Aprendeste a viver apenas com o presente, e o que conta é o agora. Por isso partiste desiludido e triste, porque não sabes procurar um fim diferente do imaginado, não sabes pedir, nem sabes mostrar. E os livros não são todos iguais, até pelo volume e pelo grafismo se diferenciam. um pode precisar de mais tempo, que o outro, de outra forma de agir e de pensar para tirar o mesmo prazer do momento. E nos livros tal como na vida quando pensamos podemos estar sozinhos, mas quando falamos precisamos de interlocutor e quando agimos precisamos que o outro compreenda o sentido do que pretendemos. A vida é um livro com páginas escritas e amarelecidas pelo tempo e com páginas em branco à espera do presente que pode ser o futuro onde  poderemos escrever, se soubermos, o sentido que queremos dar à nossa vida.