quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Namora uma rapariga que lê

Não foi escrito por mim, mas caracteriza na perfeição como penso e vejo algumas atitudes da vida.
Aliás acho que poderei dizer que quase me define! Impossível não publicar aqui - (retirado da internet)

Foto:internet


"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido oUlisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.



É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."


(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blogue de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)

domingo, 9 de setembro de 2012

Tarte de nata

Amanhã é o inicio oficial da escola e o nosso Bambino vai começar uma nova etapa na sua vida escolar. De manhã estivemos a preparar o material comprado ontem, conforme a lista fornecida pela escola. Etiquetar, identificar com o nome do aluno e guardar. Depois fiquei a pensar que deveriamos de alguma formalizar a ocasião e vai daí lembrei-me da tarte para o lanche. Posso garantir que ficou deliciosa!

Esta receita é muito fácil, e muito agradável para servir como sobremesa. É o típico pastel de nata nacional comido em fatias. A mesma receita dá para fazer pasteis de nata individuais, para isso basta cortar a massa em pequenos círculos e forrar as forminhas de queque. O tempo de cozedura é menor, cerca de 10 minutos.



Ingredientes:
3 dl natas
6 gemas de ovo
120 gr de açucar
uma embalagem de massa folhada fresca
canela en pó, qb

Leva-se ao lume as natas e as gemas mexidas com o açucar, mexendo com regularidade com uma vara de arames, até fervilhar e começar a engrossar.
Numa tarteira coloca-se a massa folhada deixando ficar por baixo o papel em que vem enrolada, deita-se o preparado e vai ao forno pré-aquecido, a cerca de 200º, por cerca de 15 minutos.
Deixa-se arrefecer e polvilha-se com canela  a gosto.

Bom apetite!







Ver crianças a brincar 
lá fora na porta da rua 
dá vontade de voltar
aos jogos da capicua

Jogam às escondidas
lançam bolas e raquetes
andam de bicicleta
só falta lançar foguetes

Gritam, correm os petizes
barulheira infernal
olhar crianças felizes
até quando em Portugal!


Tarte de espinafres e alho francês

Na cozinha como em tudo na vida o ingrediente mais importante de qualquer receita é a ternura. Depois o tempero fica ao gosto de cada um, mais ou menos gramas. Posso afirmar que nunca leva demais.Esta tarte salgada de hoje, foi feita com imenso prazer, como aliás me acontece quando ando em volta dos tachos. E gosto de fazer tartes. É um prato muito fácil e rápido de elaborar e que geralmente agrada a todos os comensais e com a garantia de ser muito apreciado por crianças e jovens. Serve para entrada, para acompanhamento de uma refeição principal,  e até para um lanche. Foi servida no nosso almoço, e acompanhou arroz branco e salada, no prato da criança, no meu acompanhou apenas salada, pois os excessos serão cometidos no jantar com os amigos. 


Ingredientes:
1 base de massa quebrada (para tartes) fresca;
1 cebola pequena cortada em meias luas finas
1 alho francês cortado em rodelas finas
1 molho pequeno de espinafres, arranjados para se utilizar apenas as folhas
1 dente de alho
2 colheres de sopa de azeite virgem
ervas aromáticas (óregãos, tomilho - utilizei fresco do meu vaso, ou outras a gosto, também fica bem salsa e manjericão)
1 pacote de natas
2 ovos

leva-se ao lume no azeite os legumes todos a saltear, temperam-se com uma pitada de sal e com as ervas aromáticas a gosto. Forra-se uma forma de tarte com a massa e cobre-se com os legumes salteados, batem-se os ovos com as natas (nesta utilizei apenas metade do pacote) e leva-se ao forno pré-aquecido 200º cerca de 15 minutos.  












Tudo isto vai bem a recordar John Coltrane


sábado, 8 de setembro de 2012

De não saber o que me espera


Cada vez sabemos menos o que nos espera! 
O Ine (Instituto Nacional de Estatistica) anunciou que as exportações nacionais de bens e serviços desceram neste segundo trimestre para níveis idênticos a 2009, e o senhor Primeiro Ministro anunciou novas medidas de austeridade para penalizar os rendimentos do trabalho, num discurso vazio, de conteúdo e de forma, apenas atirando para o ar umas dicas de como vão os portugueses de segunda ( primeira é filet mignon onde não se toca )  pagar a crise que os outros (os de primeira) arranjaram! Tratou de como Pilatos lavar as maozinhas do pecado, atirando o ónus da prova para o TC (Tribunal Constitucional) e motivos à oposição (leia-se PS) mais que suficientes para também eles se libertarem da responsabilidade do memorando. O que me pareceu mesmo é que o próximo aluno a inscrever-se na Sorbonne se chama Pedro Passos Coelho. Está tão farto o senhor disto tudo como eu estou desta cambada de políticos que proliferam nesta Europa decadente, pobre e envelhecida.
Tudo isto foi anunciado num escaldante dia de verão, em que nada havia de interessante para discutir e momentos antes de se iniciar um jogo da Selecção de Futebol! Por aqui se vê a oportunidade do momento político e o interesse que a classe ( da política) tem pela talvez única actividade nacional reconhecida além fronteiras e onde os bens transaccionáveis são altamente lucrativos! 

Mais uma vez o Zeca Afonso, serve para ilustrar o que eu sinto!





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Inesquecível

Inesquecível é o dia em que em mim reparaste!
Inesquecível a hora em que o meu nome guardaste!
Inesquecível porque não foi planeado, nem pensado mas foi surgindo silenciosamente no silencio dos dias compridos e sofridos da vida amarga e crua que nos habita;
Inesquecível é este céu imenso que brilha em mim e me deixa os sentidos anestesiados!
Inesquecível é o teu poema quando fala de amor e de desejo e me esmaga de tão intenso e puro!
Inesquecível é o teu riso que desce rio abaixo até desaguar no meu coração!
Inesquecível és tu!



sábado, 1 de setembro de 2012

Puro néctar

O sol a pino arde nas lages graniticas da eira, a calmaria invade a natureza, o passaredo acalmou o canto matinal e os gatos adormecem na sombra da velha nogueira. Apenas esvoaçam aqui e ali uma borboleta multicolor, uma libelinha ou uma abelha que vão colorindo o azul pastel do céu. Só o meu coração se mantém alerta, ávido da serenidade que por aqui encontra e que chega em carícias doces de um riso suave. O cheiro adocicado das maçãs e dos figos entorpece os sentidos, deixando-me entre o melancólico e o exaltante, que nem a hora da sesta afasta.  Sinal que esta brisa ligeira e quente que me acaricia o rosto, também ela derrama o seu calor por essas pautas musicais que se estendem até lá abaixo a beijar o rio, amadurecendo o fruto que no seu ventre guardam, tal mãe zelosa que o protege.
As palavras que dizemos são sentidas, mas não dizem o que se sente, protegem-nos elas também do que não podemos sentir. Agora o tempo é de festa, de férias, de relaxamento e de calmaria. Mas os dias de estio passarão e a azáfama das vinhas e dos lagares e do trabalho e dos afazeres vão ocupar as mentes e os corações despertos. Será que esta brisa doce e suave que toca esses corações vai ela também resistir ao cair da folha do outono, aos horários rigorosos e a todas as contrariedades que a vida nos atira sem apelo nem agravo? Apenas o futuro dirá a qualidade da colheita mas, sabendo de antemão que as uvas são de boa casta, certamente o resultado será aveludado, sabor intenso e para guardar por muito tempo.



Foto: Mafaldinha

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Salamanca - Miguel Unamuno


(Porque há dias em que a alma recebe o dourado do sol de Castela)


Alto soto de torres que al ponerse
tras las encinas que el celaje esmaltan
dora a los rayos de su lumbre el padre
Sol de Castilla;

bosque de piedras que arrancó la historia
a las entrañas de la tierra madre,
remanso de quietud, yo te bendigo,
¡mi Salamanca!

Miras a un lado, allende el Tormes lento,
de las encinas el follaje pardo
cual el follaje de tu piedra, inmoble,
denso y perenne.

Y de otro lado, por la calva Armuña,
ondea el trigo, cual tu piedra, de oro,
y entre los surcos al morir la tarde
duerme el sosiego.

Duerme el sosiego, la esperanza duerme
de otras cosechas y otras dulces tardes,
las horas al correr sobre la tierra
dejan su rastro.

Al pie de tus sillares, Salamanca,
de las cosechas del pensar tranquilo
que año tras año maduró en tus aulas,
duerme el recuerdo.

Duerme el recuerdo, la esperanza duerme
y es tranquilo curso de tu vida
como el crecer de las encinas, lento,
lento y seguro.

De entre tus piedras seculares, tumba
de remembranzas del ayer glorioso,
de entre tus piedras recojió mi espíritu
fe, paz y fuerza.

En este patio que se cierra al mundo
y con ruinosa crestería borda
limpio celaje, al pie de la fachada
que de plateros

ostenta filigranas en la piedra,
en este austero patio, cuando cede
el vocerío estudiantil, susurra
voz de recuerdos.

En silencio fray Luis quédase solo
meditando de Job los infortunios,
o paladeando en oración los dulces
nombres de Cristo.

Nombres de paz y amor con que en la lucha
buscó conforte, y arrogante luego
a la brega volvióse amor cantando,
paz y reposo.

La apacibilidad de tu vivienda
gustó, andariego soñador, Cervantes,
la voluntad le enhechizaste y quiso
volver a verte.

Volver a verte en el reposo quieta,
soñar contigo el sueño de la vida,
soñar la vida que perdura siempre
sin morir nunca.

Sueño de no morir es el que infundes
a los que beben de tu dulce calma,
sueño de no morir ese que dicen
culto a la muerte.

En mi florezcan cual en ti, robustas,
en flor perduradora las entrañas
y en ellas talle con seguro toque
visión del pueblo.


Levántense cual torres clamorosas
mis pensamientos en robusta fábrica
y asiéntese en mi patria para siempre
la mi Quimera.

Pedernoso cual tú sea mi nombre
de los tiempos la roña resistiendo,
y por encima al tráfago del mundo
resuene limpio.
Pregona eternidad tu alma de piedra
y amor de vida en tu regazo arraiga,
amor de vida eterna, y a su sombra
amor de amores.

En tus callejas que del sol nos guardan
y son cual surcos de tu campo urbano,
en tus callejas duermen los amores
más fugitivos.

Amores que nacieron como nace
en los trigales amapola ardiente
para morir antes de la hoz, dejando
fruto de sueño.

El dejo amargo del Digesto hastioso
junto a las rejas se enjugaron muchos,
volviendo luego, corazón alegre,
a nuevo estudio.

De doctos labios recibieron ciencia
mas de otros labios palpitantes, frescos,
bebieron del Amor, fuente sin fondo,
sabiduría.

Luego en las tristes aulas del Estudio,
frías y oscuras, en sus duros bancos,
aquietaron sus pechos encendidosv en sed de vida.

Como en los troncos vivos de los árboles
de las aulas así en los muertos troncos
grabó el Amor por manos juveniles
su eterna empresa.

Sentencias no hallaréis del Triboniano,
del Peripato no veréis doctrina,
ni aforismos de Hipócrates sutiles,
jugo de libros.

Allí Teresa, Soledad, Mercedes,
Carmen, Olalla, Concha, Bianca o Pura,
nombres que fueron miel para los labios,
brasa en el pecho.

Así bajo los ojos la divisa del amor,
redentora del estudio,
y cuando el maestro calla, aquellos bancos
dicen amores.

Oh, Salamanca, entre tus piedras de oro
aprendieron a amar los estudiantes
mientras los campos que te ciñen daban
jugosos frutos.

Del corazón en las honduras guardo
tu alma robusta; cuando yo me muera
guarda, dorada Salamanca mía,
tú mi recuerdo.

Y cuando el sol al acostarse encienda
el oro secular que te recama,
con tu lenguaje, de lo eterno heraldo,
di tú que he sido.


Foto daqui da internet




terça-feira, 28 de agosto de 2012

Quando escrevo

Foto: Mafaldinha


Quando escrevo recupero a minha essência. Escrevo e passo a ser eu mesma, reconheço-me em cada frase e compreendo-me em cada silêncio. Aquela que em criança procurava lagartixas nos buracos das paredes e sabia sempre em qual pedra se escondia a salamandra multicolor que vivia junto à nora na leira das batatas. A que comia maças verdes do pomar do padre Avelino e amoras apanhadas nas silvas do caminho da moagem e uvas das vinhas dos vizinhos porque pareciam mais doces. Aquela que se refrescava na água do regadio e perseguia o seu curso até se perder por uma conduta enterrada na terra castanha do caminho. Aquela que sabia o nome dos pássaros e conhecia-lhes os ninhos, que não revelava a ninguém, nem sob ameaça de tortura. Aquela que admirava o virtuosismo de Madalena no romance de Julio Dinis e se revia na vida simples e bela do campo. Que não compreendia grande parte dos Novos Contos da Montanha, de Torga, mas de tantas e repetidas vezes os ler em voz alta, naquelas tardes de inverno, junto à lareira, na cozinha da avó e madrinha enquanto ela, fazia deslizar por entre os dedos o fio dos novelos de lã, transformando aquele emaranhado num quentinho casaco para o Natal ou em meias para o avô. De quando em vez a leitura era interrompida para perguntar o significado de "Judeu", "contrabandista", "penedias" ou  "prestidigitação" mas a resposta invariavelmente era a mesma, continua a ler, vá! À custa de tanta repetição,  na hora da sesta nas tardes de verão o mesmo ritual com a diferença de que o fio do novelo que agora corria por entre os dedos das mulheres era de algodão, dando origem a bonitos panos de renda e colchas trabalhadas, entranhei a curiosidade sobre o mundo Torguiano e a «grandeza das almas simples que se purificam no purgatório das chamas transmontanas» como preconiza o prefácio da 3ª edição. Escrevo e recupero a infância e de como era feliz e lembro o quanto sou feliz em recordar essa vida pequena de criança mas que me deu uma alma imensa e uma procura continuada de fidelidade à memória que é uma escola de vida.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Espuma

Foto: Mafaldinha


Olhando o céu azul
na distancia
que me separa das ondas
onde serpenteia a espuma branca dos dias
vislumbro sereias
e sonhos ensombram o dia
de que vale sonhar
se quando acordar
ninguém se lembrará de ti

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Praia

Foto:Mafaldinha


Fui à praia
não fiz castelos na areia
não guardei neles os sonhos
lavados na maré cheia

Vi o sol beijar
as ondas desfeitas
em espuma branca
o beijo que eu te dei,
salgado, ao luar
nessa varanda de areia

Apanhei pedrinhas
joguei com as ondas
escondi-me nas algas
num mar de sargaço
com janelas na areia 

Conchinhas me deram
na praia as deixei
os corais sorriram
em ti me perdi
caída na areia.

Voltei noutro sol
perdi-me no mar
salvou-me um peixinho
nas águas a remar.






segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Delicadeza




Gosto de cinema, de bons filmes, com boas histórias e actores de qualidade. Por isso terei o Woody Allen como um dos meus preferidos. Também gosto de cinema europeu, francês e italiano principalmente. Posso adiantar que este meu interesse não arrasta multidões, nem grandes companhias para o evento. Por norma vou sozinha, eu e o filme. Este também não fugiu à regra. Já nem me dou ao trabalho de formular convites. 
Hoje quando cheguei à sala designada achei que o filme iria ser só e apenas meu. E não é que estava exultante por ser assim? O filme ser exibido para a minha pessoa. Mas não uns quantos casais, alguns de meia idade e um ou outro mais próximo da minha apareceram para me retirar o prazer que eu antecipava. O prazer não conseguiram retirar nenhum, mas acabei com companhia na sala. Lá foi o meu momento de egocentrismo...
É uma história bonita, mas não é um filme de excelência, embora com sequências muito ricas e que dão muita expressividade ao filme, pena não terem conseguido dar até ao fim a mesma continuidade. Mas foi muito agradável assitir a um filme francês falado naquela língua doce e suave. A Audrey Tautou  tem alí muito bom trabalho.
Mas afinal de que versa o filme, ora cá está a parte mais interessante, a maneira de redescobrir o prazer de viver e de ser feliz. é um retrato dos relacionamentos humanos e dos  julgamentos e dos preconceitos da sociedade, mas também sobre a singularidade do amor. Para mim hoje bastou-me, um filme bonito num dia também ele bonito. O prazer está nas pequenas coisas na delicadeza dos gestos e no aproveitamento e ensinamento que retiramos.

domingo, 12 de agosto de 2012

Escolher


Os grandes homens existem em todos os continentes. Não são espécime único de uma só nação, nem de uma só cultura.
Não escolhas o conflito. Apenas deixa amargura e desilusão espalhados em redor. Escolhe os valores maiores, e oferece o melhor presente que podes encontrar. A verdade do teu carácter.
Para realizares os teus sonhos, segue a rosa-dos-ventos. Tudo é transitório e o vento dita a direcção em que o coração deve seguir. Enche-o de auto-estima e de auto-confiança. O melhor presente que podes distribuir é a ternura. Oferece-te a ti próprio, embrulhada num bonito papel de seda, de forma que nem os olhos vejam, mas o coração sinta.

foto:Mafaldinha