sábado, 17 de novembro de 2012

Um segredo de ti

Esta noite não havia neblina
Por isso sentiste pela primeira vez o meu corpo junto do teu
Subindo as escarpas da falésia adormecida
No silencio do mar
Como uma concha que guarda uma pérola.
Admiramos a paisagem que se abre nessa vastidão de prazer 
Lá nesse lugar de ondas e de rebentação
Num labirinto de corpos e de gemidos,
Onde guardo pequenas feridas escondidas 
E um verdadeiro segredo

Foto:Mafaldinha

Pizza de fiambre e queijo

Gosto do outono dos dias lentos e que anoitecem cedo, sentir o sol a aquecer-me as faces e o vento frio que passa. Os gatos adormecem ao sol e os pardais já não esvoaçam por entre os ramos meio despidos do plátano e da tília. A serenidade do dia veste os nossos corações. Tudo é paz e harmonia que se reflete no sossego em que a vida doméstica decorre. Pintar uma joaninha, fazer exercícios da revista do Amiguinho, jogar no computador. Partilhamos momentos e memórias e afetos com quem mais gostamos, através de um prato de comida. Cozinho por prazer e para agradar ao estomago e ao coração.

Receita:
  • 225 g farinha de trigo 
  • 100 ml água 
  • 8 g fermento de padeiro 
  • 1/2 c. chá de sal 
  • 1 c. sopa de azeite,
Em cima da pedra da cozinha, ou num recipiente, amassa-se a farinha com os ingredientes como para fazer pão. Depois de bem amassada, vê-se quando a massa desliga das mãos deixa-se levedar durante cerca de 30 minutos. Tende-se a massa (estica-se e dá-se o formato pretendido, redondo ou quadrado). 


  • 200 g queijo mozzarella ralado 
  • 1 tomate maduro cortado em rodelas finas 
  • 100 g fiambre 
  • 2 c. sopa de polpa de tomate 
  • umas folhinhas de orégãos frescos 
Barre a pizza com as 3 c. de sopa de polpa de tomate e espalhe o tomate às rodelas pela pizza, as folhinhas de orégãos e por fim o queijo e o fiambre cortado em tiras.
Fotos: Mafaldinha















Leve a pizza ao forno a 200º (forno tradicional) durante 20 minutos ou até a massa estar cozida e o queijo derretido. Retire do forno e sirva ainda quente.

Uma delícia!

          Bom apetite!  



Foto: Mafaldinha

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As gaivotas não adormeceram ainda
E esta noite as marés não vêm deitar-se na praia
E o sol esconde-se de mim e a lua é apenas por metade
Eu gelo à míngua do teu calor que demora em regressar
Ainda só vejo um fio do horizonte
Vim à tua procura confirmar que também os teus dedos vieram para me procurar
E pergunto-me onde deixaste a tua sombra quando aqui não estás
Se a vires diz-lhe que o tempo não passa quando os amantes regressam
E se nos perdermos nestes promontórios entre um mar de sargaço e de salinas
Será na primeira geografia do caminho onde ficaram as conchas e os búzios
Que começa o dia seguinte


Foto: Mafaldinha





domingo, 11 de novembro de 2012

Observo as águas aparentemente calmas deste rio que escondem turbilhões e rápidos, e num doce avançar desliza em direção ao mar. Tal como estas águas cinzentas e prateadas te vão encontrar lá longe, assim o meu pensamento vagueia na distância ao teu encontro.
Este rio que transpõe obstáculos e se espraia ao chegar à foz é o mesmo que por aí abaixo espartilhado entre serras e penedos intransponíveis, mas contornáveis, cresce e torna-se imenso e uma imensidão de água. Assim é muitas vezes com a vida e com o que dela se faz.
As nuvens cinzentas recortam o céu azul intenso e refletem-se nas águas do rio mirando-se no espelho. Na berma a colónia de patos brinca, os pequenos barcos ancorados decoram a paisagem no seu baloiçar dolente. Por vezes cruzam as águas as canoas da escola de remo e os risos e as conversas dos atletas, todos eles bem jovens misturam-se com o grasnar dos patos. Tudo parece calmo, aparentemente calmo, apenas em mim sinto o fervilhar de sentimentos que me custa a compreender. Queria estar feliz e não estou. Queria estar serena e também não estou. Queria ser sensata e não sei se o sou. Queria apreciar a beleza do local e não consigo e queria respirar este ar fresco e reconfortante e não me apetece. Apeteceu apenas tirar fotografias. Tem dias!










Fotos Mafaldinha

Dance me to


Frase de Leonard Cohen:
(Loved you in the morning)


 

sábado, 10 de novembro de 2012

Esperança-me

Matar a saudade no quarto minguante da lua
E sentir nas paredes do teu corpo o calor
Que me  apetece e me sacia, a minha boca
Ansiosa, húmida, ardente e mais coisa nenhuma
Invadir a tua. Rever de mim a parte que em ti guardas
Desse momento que demora
Tanto, que na linha do horizonte o comboio aguarda na estação
Como fauno das fragas e dos montes não revela o destino
E não diz ao vento  nem a ninguém das palavras impregnadas
Da sensualidade do momento. Esperança-me apenas.
(09/11/2012)


Foto Mafaldinha

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

matemática


Na aproximação a uma raiz quadrada
Pedir um número irracional
É um desafio matemático
Onde a lógica nunca falha
E o número de ouro és tu

Equacionamos variáveis
Tiramos tangentes e medimos ângulos
Calculamos o impossível
E desafiamos o infinito.
Tudo em incógnitas onde
a identidade do desafio único
Não é resolúvel

É a matemática
No seu mais puro saber
O imaginário complexo do nada
A probabilidade do impossível
Uma constante 

Apenas quem sabe amar
Consegue calcular
Um resultado perfeito
Decorrendo do teorema
Elevando o expoente à última potência

domingo, 4 de novembro de 2012


Oiço, bem dentro de mim
Um som
Não é a brisa, nem o vento nas árvores
Alguma coisa será…
Não posso ouvi-la senão em segredo
Num vazio de momento inesperado.
Ensina-me a sentir como quem ouve…
O seu mistério, a sua voz
Que na madrugada acende no seu rosto
E como se antes o mundo não tivesse existido,
Ensina-me a romper o dia claro.



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O som do nosso silêncio

Não! Não quero que seja a escuridão  a acompanhar os teus dias
Mas uma luz brilhante saída de um candeeiro iluminado.

Deixa-me seguir os teus passos no passeio da vida
Ora tímidos ora decididos
Pela estrada que é só nossa.

Por vezes o verbo é intermitente e cai no silêncio das palavras mudas
De um passado inexistente e de um futuro imperfeito.

E quando tocar o som do silêncio
Escutamos as nossas vozes
Ecoar nas paredes dos nossos corações 

Através do silêncio converso contigo
E o meu olhar dirá tudo o que sinto.

O caminho é estreito, mantém o coração aberto
E no silêncio,
Vamos!  Um pé seguindo o outro.

(Inspirada na música The Sound of Silence de Simon & Garfunkel)





quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dia de todos os santos e dos anjos que nos acompanham

«A morte chega cedo,
Pois breve é toda a vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida
O amor foi começado,
O ideal não acabou
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto», Fernando Pessoa -in Cancioneiro

Hoje é dia de todos os santos. Dia de rituais próprios na vida dos católicos. Visitar os cemitérios, colocar flores nas campas dos entes queridos, que antes do tempo foram retirados do mundo. É sempre cedo para morrer, como no poema de Fernando Pessoa. Presta-se homenagem, colocando uma vela, aos pais, aos amores de uma vida, aos avós, aos irmãos e muitas vezes aos filhos que contrariando a lógica da vida e da morte partem mais cedo ainda.  Por vezes apetece retirar estas pessoas do céu onde imaginamos velem por nós, para as poder abraçar novamente. Não ter medo de lhes dizer o quanto as amamos e quanta é a saudade que escorre no peito, viveríamos de  novo e uma nova vida que os designios de Deus e da natureza    do homem não permitem.
Como me dizia alguém, também é nosso o dia. Este ano ainda é feriado, dia de descansar dos horários e atribulações profissionais. Dia de ser feliz e de fazer felizes aqueles que amamos e estão próximo de nós, ou longe mas no nosso coração. A distância não deixa olhar nos olhos do outro mas deixa ouvir as palavras do coração. E por isso e porque prezo muito quem me ama, foi dia de fazer um bolo para o lanche. Pois há sempre um amiguinho que toca a campainha para brincar.
E hoje fiz bolo de maçã e nozes. 
Como são dias de doçuras e travessuras e aproveitando a abóbora esburacada, fiz um pouco de doce.  
Ficou uma delicia e foi muito apreciado pelas crianças presentes.






4 ovos
1chávena de açucar
2  colheres de mel
1 colher de azeite
1 +1/2 chávena de farinha com fermento
1/2  chávena de nozes em pedaços
1 chávena de maçã cortada em cubinhos
2 colheres de farinha de alfarroba
1 pitada de canela
medida (chávena de chá, colher de sopa)

Batem-se as gemas com o açucar, o mel e o azeite. Junta-se as nozes e a maça, e envolvem-se as farinhas peneiradas. Batem-se as claras em castelo e junta-se sem bater ao preparado. Deita-se numa forma redonda ou de bolo inglês previamente untada e polvilhada com farinha. Vai ao forno aquecido e coze durante cerca de 35 minutos a 180º. 


A musica que ouvi durante a tarde e gostei





Pão integral e mel

Conversar sobre comidas, ingredientes e sabores é partilhar afetos e cozinhar com amor. Faço muitas vezes pão. Para os lanches de fim de semana, quando recebo amigos ou no dia a dia para comer pão diferente e partilhar com as colegas de trabalho ao fim da tarde.
Desta vez fiz um pão integral com sementes das misturas que a Nélia me dá de vez em quando e com uma boa colher de mel. Ficou divino. Fez as delícias dos lanches da semana e dos meus pequenos almoços nesta mini semana de outono e encanto tamanho.


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Pão de cereais e mel - Receita para a máquina de fazer pão

10 gr manteiga para untar as pás da máquina
Agua - 350 ml
sal 1 cc
farinha tipo 55 - 300 gr
farinha integral 150 gr
cerca de 50 gr (sementes de quinoa, aveia, sementes de girassol, sésamo, sementes de linhaça, farinha de alfarroba)
fermento de padeiro 15 gr.
2 colheres sopa de mel

Colocar os ingredientes pela ordem escrita na receita. selecionar o programa pão integral na mfp, tostagem nivel 1 e quantidade 750gr pão.


Curiosidade:

O mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar extraído das flores.

O mel é importante como alimento, para o equilíbrio do organismo, pois contém glicose e frutose que entram directamente na corrente sanguínea, tornando-o um produto energético. O mel pode ser utilizado como alimento, adoçante e como medicamento.

Para os diabéticos o mel é um alimento melhor do que o açúcar de cana, porque 40% do mel é frutose, o açúcar das frutas, bem menos prejudicial aos diabéticos.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012



"O perdão liberta a alma. E remove o temor. Por isso é uma arma tão poderosa."


Nelson Mandela/Morgan Freeman
em Invictus, de Clint Eastwood (2009)