quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sonhos de abóbora de Natal

Quando deixamos que o espírito de Natal envolva o nosso coração tudo se torna mais suave e mais belo! Feliz Natal!

Por agora lembrei-me de partilhar uma receita que gosto muito de fazer pois que me traz antigas e muito queridas recordações da minha avó paterna.
É uma receita fácil e geralmente todos os que provam apreciam muito.
Dedico-a a alguém muito especial que sei adoraria poder provar o primeiro que eu cozinhasse, apreciando-o se estivesse verdadeiramente bom e criticando se de algum ingrediente carecesse.
Em sonhos provará de todos os sonhos que o sonho nos permitir.





1 kg de abóbora cozida e escorrida
3 ovos
300 gr de farinha
5 colheres de sopa de açucar
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de sopa de aguardente
Raspa de uma laranja

1.Cozer a abóbora. Deixar escorrer bem (deixo de um dia para o outro).

2.Com as mãos desfazer a abóbora e juntam-se os ovos que devem ser bem batidos à parte.

3.De seguida o açucar, a farinha e o fermento.

4.Por fim a raspa de laranja e a aguardente




A massa não deve ficar muito mole. se estiver deve juntar mais um pouco de farinha.
Eu amasso tudo com as mãos, da forma que se amassava o pão antigamente.
Frita-se em óleo bem quente, colocando a massa no óleo com uma colher.
Depois de fritos e ainda quentes, passam-se por açucar e canela.

Bom apetite!


Foto:Mafaldinha

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Um aceno

Na madrugada gelada esvoaça 
um pássaro minúsculo, franzino 
perdido no sussurrar do vento
segue rasgando a bruma e o medo
Sem perder a rota e sem rosa dos ventos

Deixo-me embalar no seu trinar melódico
e absorvo a brisa que me aconchega
numa sinfonia de silêncios 
Como se fora uma ânfora 
de harmonia e mel

E sinto emergir no horizonte
um sussurro leve, um aceno breve
Um afago, uma verdade serena
Se aninha em minhas mãos por um instante
o aroma da vida brota com o nascer do dia


Foto:Mafaldinha




segunda-feira, 17 de dezembro de 2012




Foto:internet



Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,


A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme
. in Alberto Caeiro

sábado, 15 de dezembro de 2012

Um segredo



Regra: utilizar quatro palavras todas a derivar da primeira e  a seguinte contendo a anterior incorporada
Escrever um texto com 77 palavras

palavras:   Tem  - tempo  - tempero -  temperamento

Um Segredo

Tem um sonho bem guardado
fechado com um segredo
Numa caixinha de música
 Longe do mundo e do medo

Escutando levemente as notas do tempo
Num desalento profundo
Esconde dos dias a dor que o prende
à crua matéria deste mundo

As notas da partitura
São uma forma de amar
Cada tom com seu tempero
Desfolham doce  poesia no ar

Cada homem um temperamento 
Cada dia uma ilusão
De saber abrir a porta 
Para aquele  pobre coração


Enquanto me deliciava escrevendo e contando as palavras e construindo rimas e rindo do meu desespero e sentindo a chuva lá fora, triste, fria e desolada, ia ouvindo 




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Bolachinhas de Natal

Em dias de chuva também me apetece ficar na cozinha a procurar o calor do fogão e do forno, a queimar as mãos ao segurar nas tampas e a deliciar-me com os cheiros que emanam dos vapores que sobem no ar.
Lá fora o vento sopra e sinto a chuva escorrer pelas vidraças como lágrimas teimosas.
Por vezes dou comigo a sonhar em como gostaria de ter nascido no Século XIX, mas numa família que me permitisse aceder à instrução e ter uma cozinha daquelas grandes com um grande fogão de lenha e muitas panelas brilhantes de tão bem areadas e com tempo para ler e para me dedicar às crianças e aos chás com as amigas e criar todos os dias uma nova receita para aconchegar o estômago dos que estimo. Ai como seria feliz, certamente ...
Assim em pleno século XXI com horário de trabalho e uma cozinha pequena e pouco tempo para inventar romances e a mesma e imensa vontade de agradar e ser motivo de alegria e orgulho a quem me aquece o coração e me preenche os dias com  encantos da alma e do sonho e me faz feliz.

Hoje tinha mesmo que improvisar alguma coisa para levar para a festa de Natal do Bambino e claro juntar ao improviso as preferências infantis. 
É um prazer ver aqueles rostinhos olharem-me a sorrir e em grande gritaria dizerem que poderia ter feito mais. Sinto-me tão envaidecida nestas horas que quase me apetecia deixar as contas e os impostos e as leis fiscais apodrecerem na gaveta para poder criar destas  delicias diariamente. 

As bolachinhas já estão prontas e ei-las






Fotos:Mafaldinha




Quando o coração tem razão


Foto;Mafaldinha


Quem tem razão
Quem sabe disso ou não
Nenhum dos dois certamente.
Qual o beijo que era meu
E qual o abraço que foi teu?
Já não lembra, vê na tua pele
Se o cheiro tatuado ainda tem aroma.
E o destino com quem fica
Segue connosco sem partilha!
Mas o orgulho ofendido
não deve nada
e o amor próprio é rico
e por vezes tem talentos escondidos
De mãos dadas com a arrogância
arrogam-se tantas certezas
que em redor tudo escurece
e carece de saber.
Briga de amor não tem cor
mas pode trazer muita dor
no calor da discussão.
Perder a luz do farol
é como ficar sem sol

De quem é este jasmim
que compraste só p'ra mim?
Mas eu fico sem a flor
nem que seja por amor ...
Dá-me o livro pessoal
que te comprei sem sinal
de um qualquer enxoval,
Dou-te as tuas confidências
e tu esqueces as minhas dolências
E agora quem vai olhar o mar
E ver o sol a acordar?
E o que faço dos silêncios de mãos dadas
E da música que escutamos na alvorada?
E a quem vai o luar mandar os segredos
nas noites estreladas?
E quando chegar a primavera e sem ela uma andorinha
A quem vais mostrar o ninho com um ovo?
E quando olharmos para o cimo da árvore que é só nossa
Eu quero ser a bem aventurança que procuras
E voltar a ouvir dos teus lábios que estou bonita. Diz-me mais uma vez!


domingo, 9 de dezembro de 2012

Natal



Foto da internet



...na distância da lua partida ao meio
E o solstício de inverno
Que deixa o frio lá fora
Aqui onde a paz é tricotada
Em segredos envoltos no novelo
Que aquece o coração
Já é Natal!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Na espuma dos dias
E olhando o horizonte
Que nasce todas as madrugadas
Na ousadia de amar
Diz-me
Quem pintou o céu de azul
E coloriu o arco irís
Quem deu um nome às estrelas
E vestiu o céu de nuvens
Quem fez o sol e o sonho
E deu ao luar a magia
De um mar imenso
Certamente esconderia de mim
quando tu vens
Beijar-me de novo
Certamente adivinharia
Quem se esconde no meu coração
Certamente tornaria perene
O meu amor e o teu.



Foto:Mafaldinha


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rabanadas

Quando o espírito de natal me absorve, aqui por casa começa a sentir-se o cheiro de especiarias. Enquanto as minhas amigas deliram com novas roupas, jóias caras, férias de sonho, eu sonho com uma cozinha aconchegante, umas delícias para cozinhar e a ternura dos que me são queridos para me aquecer. Bem, também gosto de livros e de música e de louças bonitas e de flores e de ser coquete! Mas troco de boa vontade uma ida às compras, pela oportunidade de cozinhar um mimo para quem me mima.
O aniversário do mano e a vinda próxima de um amigo muito especial foi suficiente para me proporcionar o prazer de por as mãos na massa e surgir uma delícia natalícia para abrir desta forma as comemorações da quadra festiva!
As minhas famosas rabanadas 










 



 Receita de Rabanadas:
1 cacete para rabanadas cortado em fatias
3 ovos  
400ml de leite morno
raspa de limão
óleo para fritar

Calda
1/2 litro de água
600 gr de açucar
raspa de limão
pau de canela
Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume até fazer ponto

1. Aquecer o leite com a raspa de limão.
2. Bater bem os ovos numa taça larga
3. Molhar as fatias no leite
4. Passar as fatias no ovo e fritar em óleo bem quente
5. Colocar a escorrer em papel absorvente 
6. Colocar as fatias numa taça e regar com a calda

Outro método  (molhadas as fatias na própria calda):

Depois da calda feita, dividir metade e nessa juntar duas colheres de sopa de vinho do Porto.
Molhar as fatias de pão nesta calda, passar por ovo e fritar em óleo bem quente.
Depois de fritas colocar numa taça e regar com a calda restante

Bom apetite!



Saborear uma rabanada e uma chávena de café quente deixou-nos a recordar a voz daquele mar lá longe na distância! Haverá outros mares e outras distâncias a percorrer no caminho para o coração. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Um doce para o advento

A vida é agitada, nem sempre estamos com quem gostamos, nem sempre fazemos o que nos dá maior prazer. Conciliar as exigências profissionais com a vida familiar, com as solicitações sociais e com os prazeres que retiramos das mais variadas vivências é dificil de concretizar, alguém fica para depois. Mas nem sempre o que é depois é menos importante. O equilibrio é fundamental e esse existe quando há ponderação, compreensão e ternura. Utilizando uma palavra querida dos psicólogos, ser assertivo. Mas o apoio dos que aquecem o nosso coração é primordial, pois neles encontramos e fazemos o tal equilibrio. 
Procuro no dia a dia viver desta forma e permitir que os que me rodeiam também assim se sintam. Nem sempre o atingindo, melhor, raramente.
Como toda a mulher que conheço, adoro mimos, mas também sei que não os posso obter quando e como gostaria, por isso desenvolvi uma fórmula, sem grandes cálculos nem derivações, que guardo no coração e que me permite sentir realizada: ser eu a dá-los! Nem sempre chego a tempo ou sou suficientemente expedita a fazê-lo (a ponderação que se ganha com a idade retira espontaneidade, muitas vezes) mas o meu carinho com aqueles que sei se preocupam comigo aparece muitas vezes sob a forma de doces ou de pratos confecionados com muitos pozinhos de ternura. Quanto prazer eu retiro ao observar a satisfação e o agrado com que as minhas invenções culinárias aquecem o coração dos que mais amo. 
Ontem começou o advento o que nos deve levar a refletir e aprofundar a proximidade do Natal 

A luz de Cristo enxugue todas as lágrimas, console quem está triste e encha nossos corações de alegria para preparar a sua vinda e louvar o seu nome, tal como os Anjos cantando Glória a Deus nas alturas.

Hoje temos aletria para sobremesa

150 gr de aletria
150 gr de açucar
2,50 dl de leite
1/2 litro de água
um pau de canela
casca de limão
1 colher de chá de manteiga
3 gemas


1. Leve a água com a casca de limão e o pau de canela ao lume;
2. Deixe ferver, junte o açucar e a aletria e mexa bem e deixe cozer
3. Quando a massa secar junte o leite morno e retire o pau de canela e o limão
4. junte a manteiga e deixe engrossar
5. retire do lume e junte as gemas mexendo bem para não cozerem.
6. Deite num prato e decore a gosto




Fotos: Mafaldinha



Bom apetite!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Este livro que se permite ler devagar não foi escrito
Na espuma dos dias
Vai sendo gravado em fios de ouro
Em cada parte de nós
Mando-te palavras em vez de beijos porque
No poema podemos repetir
Todos os momentos
Talvez haja outro dia
Quando as flores nascerem e a chuva passar
Apenas com o despertar do coração
Unimos o vento, a lua e o céu
O futuro não pode ser adiado
O mar já chegou a enseada


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O meu relógio parou
Apenas o meu coração soltando o tique taque ansioso
pelo ainda desconhecido mas esperado.
Os minutos agora não contam,
Agora contam os beijos, os sussurros, as carícias
E a ternura que tomam a noite numa chuva de estrelas
Brilhantes de felicidade.

Aconteceu como previsto
Sem lamentos nem exasperação
As horas que foram nossas, comprometidas
E ocultas da visão humana
Voaram por entre o verde da insula e as fumarolas de espasmos
Com tanto amor que a tua voz derrama
que o meu coração vibrou com o toque desta descoberta

Adormeci nos teus braços
E a noite não passou, fomos nós que saltamos
O negrume do céu e acordamos
Quando o calor dos lençóis nos embalava
num doce amanhecer de nuvens macias e sonhos vividos.
Um dia as ondas falarão e o pensamento será escrito na espuma
da superíicie deste mar que vem de encontro aos nossos corações.


Foto:Mafaldinha