segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O medo de amar

Há gestos que não são de amor
são de ciúme
provocados pela insegurança e pelo medo
O medo de amar é teu.

Não temas.
Não há divisões no meu corpo,
nem grilhões que me afastem.
Serei sempre aquela que cativaste
até nas horas em que não estiveste.

Há lonjuras
e lágrimas
mas não esmoreço
Sou eu a diva,
e mereço as honrarias
da elegância que espalho.

A vida é tão curta
que não deixarei que um dia apenas
a vá encurtar

Podes continuar
a lutar com os teus moinhos
que não são meus
são do vento
que teimas em guardar aí dentro.

Que o meu amor te bafeje
que todos os querubins te protejam
meu amado cavaleiro

Esperarei por ti nos confins
até ao infinito do tempo
até ao último sopro do vento.

@Maça de junho

https://youtu.be/zYPrZH6oyYc


 

domingo, 20 de setembro de 2015

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Um chá com folhas de sensualidade

A natureza apresenta-nos uma grande diversidade e uma proliferação de vidas que se entrecruzam sem muitas vezes se encontrarem. Geralmente fala-se da biodiversidade. O que não costumamos refletir com muita frequência é a diversidade humana. Não há duas mulheres iguais, por mais que se tentem criar estereótipos. E maior diversidade ainda encontramos ao explorar o seu corpo. E tantas vezes que os homens se esquecem deste facto. Mais grave ainda quando na intimidade tratam a mulher sem se preocupar da delicadeza do momento, das particularidades do seu corpo. Não suporto quando o elemento masculino na relação se comporta com indiferença em relação ao clitóris, por exemplo. É um ponto quase sagrado da mulher e se alguma ignora  as suas características e a fonte de prazer que tem ali naquele pontinho minúsculo deveria ser o homem a ensiná-la, a ter a paciência e a delicadeza de lhe mostrar. Apenas percebendo o grau do toque, a textura,  a pressão, lhes permitirá a elas mulheres sentir as sensações mais intensas ou mais subtis. São estas pequenas descobertas, estas entregas momentâneas ao que o outro pode sentir, que permite viajar para lá da taprobana.  Por vezes é tanta a falta de chá  Façam desses momentos uma chávena de chá com ervas aromáticas e relaxantes. Vivam a vida sempre com novas experiências e sintam o quanto há de sagrado no corpo da mulher.
A relação só será estável quando aprendem a confiar com o coração, sem medos, nem vergonha, nem qualquer estigma e na união do casal , porque o corpo é também um templo, são memórias boas e infelizes, é a cumplicidade sem se perder a identidade de cada um.
Sejam felizes. Amem-se.
@Maça de junho
 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Ousadia

Ousadia é a coragem com que te respondo
até quando não sei a resposta

Ousadia é esperar-te
mesmo quando sei que não vens

Ousadia é a ilusão
que colocamos em nós

Ousadia é nada existir
para além dos momentos que são apenas nossos

Ousadia é
a procura incessante que fazemos do outro

Ousadia é esperar por outro dia

Ousadia é viver

https://www.youtube.com/watch?v=CUio0gU4NCY

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O sapateiro

Ora viva, menina! Tratava-a sempre assim.
Tardes soalheiras essas. Vivia de biscates. Pobre como Job. De vida dura. Tisnado pelo sol. De profissão, sapateiro. Sovela na mão. Muito conversador, culto. História e geografia. Dinastias na corte. Os rios, afluentes. Ambos curiosos, pequeninos. Ela pela idade. Fazia-lhe perguntas várias. A serra amarela. O rio douro. O continente asiático. Conversavam com entusiasmo. Eram muito amigos. Livro na mão. Chapéu na cabeça. Férias de verão. Passado sempre presente. Grandes recordações!
 
Escrever uma história em 77 palavras com frases de apenas 3 palavras. a última frase terá apenas duas palavras.
publicado em históriasem77palavras.blogspot.com
 
 
 

sábado, 5 de setembro de 2015

Brinquedo

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe
 
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Os que perderam o medo de ter medo

Não sei se são refugiados ou emigrantes ou desempregados, mas sei que são pessoas, homens e mulheres e crianças. Muitas crianças. As noticias referem serem maioritariamente refugiados da Síria e da Líbia, árabes na sua maioria. Chegados à Europa, livre e democrática vêm-se retidos dentro de comboios sobrelotados, durante horas, se não morrerem entretanto asfixiados em camiões, enquanto os diversos estados europeus, civilizados e defensores dos direitos humanos trocam entre si acusações de "politica escandalosa" e outros adjetivos proferidos ora em francês ou alemão, consoante der mais impacto juntos dos órgãos de comunicação.
E enquanto isso vai ocorrendo e nos vamos distraindo com as observações piedosas de alguns políticos, o mundo, e o mundo somos nós, começa em cada um de nós, continuamos indiferentes ao sofrimento humano que ocorre para lá da Grécia. A Grécia já é longe o suficiente para nos preocuparmos muito, exceto saber se eles continuam pior que nós no défice. O resto é de somenos. Também gosto especialmente de ouvir aquelas frases de que sempre haverá refugiados de guerra e pobres no mundo. Pois sim, que haja, desde que não sejamos nós. Não sou tão ingénua que não saiba que nestas demandas vem de tudo um pouco: gente culta, escolarizados, pais de família, gente abnegada, e gente marginal e malfeitora. Durante a segunda guerra mundial Aristides Sousa Mendes provavelmente não salvou apenas judeus honestos e sérios, salvou quem pode. E lembram-se ter visto no filme " A lista de Schindler" que este não "empregava" na sua fábrica apenas homens bons, mas empregava essencialmente aqueles que careciam de proteção. E se não foram salvos todos os judeus, também agora não serão salvos todos os refugiados, mas dar a mão ao próximo é isso mesmo. Dar a mão sem perguntar quem é. Lembro-me de uma conversa recente em que alguém dava boleia a um sem abrigo, sujo, a quem não perguntou sequer o nome. Pois é esta opção pelos últimos, a defesa dos mais pobres, o cuidar dos mais frágeis, esta consciência social, que apesar de toda a contestação que é objeto vai de encontro à consciência coletiva que Durkheim defendeu : "o indivíduo passa a ver a sociedade não como um conjunto de obrigações estranhas a ele, mas como um conjunto de direitos e deveres que ele precisa e, acima de tudo, quer respeitar." É apenas isto que a maioria dos refugiados procuram. Claro que para sobreviverem precisam trabalhar, instalar-se e reorganizar a família mas até agora ainda não vi ninguém na velha europa mostrar disponibilidade. Ouvi, sim, um autarca de Vila Velha de Ródão dizer que o município tem condições para receber entre 3 a 5 famílias. é pouco dirão os arautos da misericórdia envergonhada. Mas se multiplicássemos 5 pelos municípios todos desta europa decadente e narcisista talvez o problema parasse de crescer. Mas a europa já se esqueceu que Jean Monnet tinha um sonho: "não quero coligar estados, quero unir os homens".
 
Depois deste texto ser escrito e publicado, tivemos conhecimento da abertura por parte do governo português em receber um determinado número de refugiados, o que é de louvar.
 
A nível europeu paradoxalmente o único político que parece revelar algum bom senso é a srª Merkel. Pode ser que não seja tudo totalmente mau.
 
Texto encontrado no facebook: https://www.facebook.com/aldamgoncalves
 
@Maça de junho
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Inverno na alma

O dia era de inverno, frio, escuro e triste, como a sua alma que transparecia através do olhar sem brilho, cansado. A decisão estava tomada. Nada a faria continuar a fingir, nem a contornar a solidão dos dias, preenchidos apenas com a lista de presentes de natal e aquela aflição dentro do peito. O casamento já há muito tinha terminado, manter as aparências neste momento mais não seria que prolongar a dor. E essa era apenas sua.

Desafio nº97 - figurar em 77 palavras uma história de uma galinha que não percebe que para além do vidro está o milho e que para chegar a este, tem que contornar o vidro.
 
 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sergio Godinho

Sérgio Godinho hoje comemora a vida. 70 anos!
O dom maior logo seguido pela sua capacidade de escrever palavras simples, certeiras, que entram na alma, que ficam cravadas na pele, que nos acompanham pelos dias bons ou maus, mas desde o primeiro dia:

“A principio é simples, anda-se sozinho / Passa-se nas ruas bem devagarinho / Está-se bem no silêncio e no borburinho / Bebe-se as certezas num copo vazio..."

"Com um brilhozinho nos olhos e a saia rodada escancaraste a porta do bar..."
" Este é o primeiro dia do resto das nossas vidas..."
" Na noite passada acordei com o teu beijo..."
" Espalhem a noticia/ do mistéior da delícia/desse ventre que é quente..."
"Eu vou ao fim do mundo/ eu vou ao fundo de mim..."
As vezes o amor...

www.youtube.com/watch?v=jh1aK3qwmuc

O primeiro dia dos 70 anos de Sérgio Godinho
foto: Gerardo Santos/Globalimagem
 






 

domingo, 30 de agosto de 2015

Férias ou escrever um poema

Escrever sobre férias é muito gratificante, pois tem subjacente a ansiedade das mesmas antes da partida. Se tudo foi bem planeado, se o local reservado corresponde ao anunciado, ou se for uma partida à aventura a adrenalina do que se encontra
a cada pausa para descanso ou dormida.
As férias são um bem para todos quantos durante um ano, ou durante um período consecutivo exercem uma atividade de maior ou menor desgaste quer físico quer intelectual, e muito merecido na sua generalidade.
As férias são para usufruir do tempo sem tempo, dos amigos, da família, do sono e do descanso em geral. Férias é chegar sem hora e partir sem roteiro. É estar até apetecer estar. É acordar sem regras e preencher o dia sem obrigações e protocolos.
E quando ao fim das férias voltamos a rir sem preconceitos, a esquecer do relógio sem complexos, a ficar apenas sem receio de parecer uma tonteria de férias, significa que os dias retemperaram as forças, que o descanso caiu no corpo por inteiro. Como quem escreve um poema espalhando palavras pelo chão, saboreando cada uma antes de a colocar no poema e observando a sua forma como quem observa um por do sol.
 
Retomar ao trabalho é como alcançar a montanha deixando poemas espalhados pelo caminho.
Bom trabalho a todos quantos visitam esta página.
 
@Maça de junho

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Homens

Hoje apetece-me refletir sobre os homens. Os vários tipos de homem, referindo-me ao espécime masculino, heterossexual e às suas relações (não apenas a sexual, entenda-se) com a mulher. Existem homens em vários pontos de disponibilidade e de oportunidade numa relação com a mulher. Há homens casados e como tal "indisponíveis" para uma oportunidade de relacionamento a dois. Mas esta indisponibilidade é relativa, pois apenas se coloca quando os dados não são conhecidos pelas partes. Quando o são e o aceitam, o casado é tão disponível como qualquer outro. Depois e muitas vezes fala mais alto o tom da hipocrisia, do faz de conta e dos juízos avaliadores e demolidores de quem usa vezes demais o ditado: "olha o que eu digo, mas não faças o que faço".
Os homens casados têm muitas vantagens: são menos complicados, não chateiam, sabem bem o que querem e não exigem o que não têm para oferecer. Mas não pensem que é só vantagem, nada disso: não estão quando são precisos, não contam na lista de amigos para a festa de aniversário, nem na mesa da consoada, nem no dia em que se sobe com o filho ao altar. É uma chatice!
Bem, mas também há os homens divorciados. E estes, diria alguém, só têm vantagens! Sim, transportam alguma experiência, o fracasso anterior poderá ser catalisador de maior e melhor investimento na relação, serão mais sensatos, terão maior compreensão nos erros dela. Não entendo que assim seja na grande parte das vezes, mas pode haver exceções. O que mais frequentemente se verifica, é que trazem da relação fracassada, as frustrações não resolvidas, são incapazes de gerir a separação de forma serena, e não permitindo nem utilizando esquemas chantagistas sobre as relações com os filhos. Enfim, na maior parte das vezes são um molho de problemas, sem solução e que de relação em relação vão sobrevivendo, procurando na próxima o que não encontraram na última, sem saberem muito bem (ou mal) ao que andam. E como dizia ao gato, Alice no País das Maravilhas, quando se perdeu; 'quando não sabemos para onde queremos ir, qualquer caminho serve'.
Depois ainda há os solteiros, disponíveis (ou não) e que serão os mais apetecíveis, dirão os leitores. A ver vamos, mas não pensem que sou promíscua. Não. Sou é bastante lúcida, e a avaliação e conhecimento do ser humano, aqui me traz.
Sendo solteiros ou são muito novos e o melhor é deixa-los curtir com as meninas de idade próxima, ou já têm uma idade mais composta para se poder aproveitar a embalagem, melhor ainda se o conteúdo estiver a condizer. E neste caso há também vários riscos. Se chegou aqui sem ter sido acorrentado por decisão própria, e agora vê na mulher que encontrou uma continuação do projeto de vida, sem considerandos de oportunidade, de estar a envelhecer, de ter ficado órfão, de precisar de provar na família e na sociedade que também consegue ter êxito na relação com o sexo oposto. Óptimo! Teremos homem. Senão, e se tem andado a vaguear ao sabor das decisões da mãe, ou do pai, da pouca coragem para investir nele como homem e capaz de ganhar e de perder no confronto com outros. Esqueçam raparigas. Este não vos serve. Bem, aproveitai para umas horas de desespero, tipo ida à sex-shop,, mas largai-o depressa, antes que criem vícios.
Conclusão. Homens inteiros, sensatos, inteligentes, disponíveis penso ser uma espécie em vias de extinção. Quem tiver encontrado o seu, considere-se totalista da hora da sorte.
 
@Maça de junho