quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dia de Reis

Guiados por uma estrela, deixaram tudo, e foram procurar, foram ao encontro dele, e avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. A estrada tem de ser outra. Precisamos encontrar um caminho novo. Não pode haver desencontros. Há sempre uma linha onde nos cruzarmos com o bem, basta entender os sinais e seguir por aí. Não ter medo. Não nos acomodarmos, nem nos incomodarmos não sendo seguidos. A estrela vai-nos guiando, precisamos é segui-la, reconhecê-la, procura-la por entre nuvens e ventos, por entre o medo e a desilusão. A esperança em chegar lá não pode soçobrar.
Hoje é o dia em que o exemplo destes Reis, despojados de tudo, com o seu saber, com a sua coragem, dão um exemplo de sabedoria, fé e perseverança. Sejamos todos os dias um pouquinho reis magos, um pouquinho pastores e um pouquinho profetas.
Bom dia de reis
@macadejunho

 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Miguel Torga



Lisboa, Cadeia do Aljube, 1 de Janeiro de 1940.
ARIANE
Ariane é um navio....
Tem mastros, velas e bandeira à proa,
E chegou num dia branco, frio,
A este rio Tejo de Lisboa.

Carregado de Sonho, fundeou
Dentro da claridade destas grades...
Cisne de todos, que se foi, voltou
Só para os olhos de quem tem saudades...
Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre gaivotas que se dão no rio.
Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.


Diário I, Miguel Torga











sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Não te peço mapas, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados,
com as suas surpresas, as suas mudanças, a sua beleza.
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias...
se entusiasmem na construção da vida.
Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines os meus olhos a encarar cada tempo
como uma nova oportunidade.
Afasta de mim palavras,
que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
a graça de ser de novo."

( José Tolentino de Mendonça)

 
 
Happy New Year
Bonne Année
Bom Ano
Feliz 2016
 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Bom ano

Votos de Feliz Ano Novo.
Com afeto, com despreendimento e buscando no desapego a energia que preciso para novo fôlego e novos desafios. Sim, vou continuar a procurar e a deixar-me encontrar por novos projetos, novas aventuras e renovadas esperanças.
Também não farei balanço sobre o que passou. É passado e se não deixou marca, é porque não trazia empatia, nem sinceridade, nem conforto.
Quando nos esquecemos das metas usufruímos melhor os percursos.
Guardo apenas o que me tr...ouxe carinho, reconhecimento, atitudes positivas, sorrisos e vontade de acreditar ou de partilhar algo de bom e verdadeiro.
Cada vez mais, procuro a serenidade dos dias, a complacencia dos afetos, a ternura das coisas simples, do abraço apertado e dos sorrisos infantis.
A construção do Ano Novo começa dentro de cada um e nos sonhos que trazemos dentro de nós.
Vou continuar a sonhar!
Happy 2016
Beijos e abraços amigos


@Maçadejunho

 
 
 
 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Mitos e Impostos

A conversa foi breve e versava sobre impostos, a sobretaxa extraordinária e o fim dela - taxa e as novas declarações de IRS e o fim delas. Sobre as decisões políticas de revogar leis e de não revogar outras. Foi curta, mas como sempre profícua.  Saldanha Sanches num artigo do Expresso, depois de António Costa ser eleito para a Câmara de Lisboa, escrevia: "(...) havia a esperança de que ele conseguisse mudar a Câmara. Agora o que voga por aí é o receio de que a Câmara consiga mudar António Costa."  E de repente lembrei-me de Penélope, filha de Icárius e esposa de Ulisses, aquela a quem o marido desaparecera por mais de vinte anos, na guerra de Tróia. Enquanto esperava, tentava arranjar artifícios capazes de convencer o pai a não a obrigar a casar com os pretendentes que iam surgindo. Uma das estratégias foi tecer  um sudário para o sogro e durante o dia, aos olhos de todos, tecia, e de noite, às escondidas desfazia o que fora feito, para ir adiando as condições que o pai propunha. O marido por lá andava na guerra de Troia, cuja origem foi a bela Helena e o rapto de que foi alvo por parte de Páris, o príncipe troiano. Além destes, a bela Helena terá ainda  casado com Teseu e Aquiles. O quinto marido terá sido Deífobo, com quem casou depois da morte de Páris. Homero foi sempre uma leitura difícil e proibida durante largos períodos da história, embora de grande relevo no Renascimento, quer pelo facto de haver dúvidas se os acontecimentos são históricos ou apenas mitológicos, ainda que revestidos de grande e engalanado sentido poético.   Esperemos pois que a "reforma" legislativa em curso não siga as pisadas de Penélope e desfaça tudo o que foi feito.   o melhor é nem tentar decifrar o mito. ag
 
 
@Maçadejunho
 
 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL

Hoje sobre nós resplandece uma luz:
nasceu o Senhor.
O seu nome será Admirável, Deus forte, ...
Pai da eternidade, Príncipe da paz.
E o seu reino não terá fim."

Is 9, 2.6; Lc 1, 33

Presépio na Paróquia da Nossa Senhora da Boavista - Porto
 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

RETÁBULO


Estranho Menino Deus é o dum poeta!
O que nasce e renasce há muitos anos
Na minha noite de Natal, fingida,...
Mal corresponde à imagem conhecida
Das sucursais do berço de Belém.
É uma criança tímida que vem
Visitar os meus sonhos, e, ao de leve,
Com mãos discretas, tece
Um poema de neve
Onde depois se deita e adormece.


in, Miguel Torga
Diário VII

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NATAL
Um anjo imaginado,
Um anjo dialéctico, actual,
Ergueu a mão e disse: - É noite de Natal,...
Paz à imaginação!
E todo o ritual
Que antecede o milagre habitual
Perdeu a exaltação.

Em vez de excelsos hinos de confiança
No mistério divino,
E de mirra, e de incenso e oiro
Derramados
No presépio vazio,
Duas perguntas brancas, regeladas
Como a neve que cai,
E breves como o vento
Que entra por uma fresta, quezilento,
Redemoinha e sai:
À volta da lareira
Quantas almas se aquecem
Fraternamente?
Quantas desejam que o Menino venha
Ouvir humanamente
O lancinante crepitar da lenha?

Miguel Torga
Diário IX

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NATAL


 Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste inverno gelado....
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens um presépio
Mais agasalhado.
Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar,
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

Miguel Torga
Diário X

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Possua um coração que nunca endurece, um temperamento que nunca pressiona, e um toque que nunca magoa.
Charles Dickens.


 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Boa noite Pai

Boa noite, Pai.
Termina o dia e a Ti entrego meu cansaço.
Obrigado por tudo e... perdão. ...
Obrigado pela esperança que hoje animou os meus passos,
pela alegria que vi no rosto das crianças;
Obrigado pelo exemplo que recebi daquele meu irmão;
Obrigado também por isso que me fez sofrer...
Obrigado porque naquele momento de desânimo me lembrei que tu és meu Pai;
Obrigado pela luz, pela noite, pela brisa, pela comida, pelo meu desejo de superação...
Obrigado, Pai, porque me deste uma Mãe!
Perdão, também, Senhor!
Perdão pelo meu rosto carrancudo;
Perdão porque não me lembrei que não sou filho único, mas irmão de muitos;
Perdão, Pai, pela falta de colaboração e serviço
e porque não evitei aquela lágrima, aquele desgosto;
Perdão por ter guardado para mim a tua mensagem de amor;
Perdão por não ter sabido hoje entregar-me e dizer: "sim", como Maria.
Perdão por aqueles que deviam pedir-te perdão e não se decidem.
Perdoa-me, Pai,
e abençoa os meus propósitos para o dia de amanhã;
que ao despertar, me invada novo entusiasmo;
que o dia de amanhã seja um ininterrupto "sim" vivido conscientemente.
Boa noite, Pai. Até amanhã.

Da página de IMISSIO

 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Nascimento


 Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Rompendo a sombra etérea do crepúsculo!
A paisagem tornou-se mais estranha,
Mais cheia de silêncio e de mistério!...
Dormem ainda as árvores e os homens,
E dorme, em alto ramo, a cotovia…
E, se ergue já seu canto, é porque sonha
julga ver, sonhando, a luz do dia!
E, pelos negros píncaros, a estrela
É divino sorriso alumiante.
Oh, que esplendor! Que formosura aquela!
É lírio de oiro aberto! É rosa a arder!
Aí vem a estrela! Aí vem, sobre a montanha,
Tão virginal, tão nova, que parece
Sair das mãos de Deus, a vez primeira!
E como, sobre os montes, resplandece!


  in, Teixeira de Pascoaes (1877-1952)









http://www.youtube.com/watch?v=mN7LW0Y00kE