sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Umberto Eco - O pêndulo quebrou

5 de Janeiro de 1932, nascia Umberto Eco. Professor, filósofo, semiólogo, linguista, foi como escritor que mais se destacou a nível mundial.
Terminou hoje os seus dias, em Milão. Era um apaixonado por códigos secretos e por conspirações. Dizia que os romances eram a sua própria biografia.
@maça de junho

Nem todas as verdades são para todos os ouvidos. Nem todas as mentiras podem ser suportadas. (Umberto Eco)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

A sonhar também se engana

Dois caminhos bifurcavam e a escolha não era fácil. Um parecia mais escuro mas menos labiríntico. Seguir um revelava-se difícil. Olhou para trás e ninguém. Então os outros? Será que se perderam… hum! Esperar, seria dar tempo à classificação, e não sabia quantos estavam à frente. Mas escolher o errado, também não era solução. Na montanha qualquer passo errado é um engano caro. Começou a sentir-se sufocado. Tudo parecia um sonho. Fora um engano? Respirou fundo! Acordou.
 
RS 33 - uma história em 77 palavras sobre um engano
 
Três cantos - Eu vi este povo a lutar
 
 O Douro na sua beleza ímpar

Os recantos do Porto

 O encanto do inverno
 A beleza na simplicidade feminina
 
Boa semana
@macadejunho
 
 
 

As minhas sapatilhas

Hoje é dia de homenagear as minhas primeiras All Star. Nos anos oitenta, quando o país se preparava para aderir a um grupo muito promissor chamado europa, a vida das famílias era difícil. O calçado e as roupas passavam de irmão para irmão, ou de irmão para primo. Nunca tinha tido umas sapatilhas novas. Tinha 15 anos. Fui trabalhar nas vindimas e ganhei o suficiente para as minhas verdadeiras sapatilhas. Foi sensacional. Duraram vários anos. Saudade delas!

História em 77 palavras - Escritiva4 - Homenagem às sapatilhas
publicada em:
 
A adolescência é sempre um tempo de sonho, de expectativa, de mudança, de vontade de provar aos outros e a nós. São as sapatilhas preferidas, ainda hoje dos adolescentes. Vejos as meninas do meu grupo das quartas feiras que chegam com as suas sapatilhas branquinhas. Vaidosas na sua pele de bonecas em crescimento e sabendo a admiração que prendem nos rapazes. Também já fui assim. Por isso, talvez, as compreenda tão bem, e por vezes precisando traze-las à realidade, vou-me rindo por dentro, admirando aquela vontade de ser, de parecer.
@macadejunho
 
 
A delicadeza das flores para quem me visita
 


 
 
 

 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Orçamento de Estado

Nada mais havia a fazer. O orçamento fora aprovado. Mais impostos indiretos, mais tentativas de agradar as várias tendências políticas.
Se tivesse evitado a manutenção da TSU para salários mais baixos poderíamos dizer que se tratava de uma política honesta.
Agora restava executá-lo. Tarefa que não se apresentava de todo fácil, pois, a manter-se a austeridade global, é só esperar pelos retificativos.
Mas isto é crítica social ou análise política? Não. Apenas um exercício de escrita criativa.
 
 
Uma história em 77 palavras com três frases impostas
Desafio nº103 publicado no blogue  www.77palavras.blogspot.com
 
 
A Margarida (sempre uma querida) selecionou a minha história (Uau!!!!!)
Vai passar na Rádio Sim no dia 03 de Março pelas 17:45 horas:
 
 


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Charles Dickens

"A verdadeira diferença entre a construção e a criação é esta: uma coisa construída só pode ser amada depois de construída, mas uma coisa criada ama-se mesmo antes de existir."


“Há grandes homens que fazem todos os demais sentirem-se pequenos. Mas a verdadeira grandeza consiste em fazer com que todos se sintam grandes.”                                  

 Charles Dickens (7 de fevereiro de 1812 - 9 de junho de 1870)


sábado, 6 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No espaço do cidadão, o cidadão manifesta-se

Espaço do Cidadão, 11 horas da manhã. Um grupo de pessoas à porta a fumar. Lá dentro uma barulheira infernal. Na entrada um dispensador de senhas. Amarelas para assuntos de habitação social, verde para tratar o e-fatura, azul para as questões municipais, laranja sobre os assuntos de segurança social. Tirou uma de cada e assim tratava de tudo. De imediato reparou que a menos demorada era a verde (47 minutos de espera). Procurou uma cadeira para se sentar, mas estavam todas ocupadas. Encostou-se à parede num lugar próximo da entrada. Pegou no iphone, colocou os fones e abriu o youtube para curtir a música.
Quando deu por ela a vez da senha azul já passara. Afinal andou depressa. Dirigiu-se ao balcão, mas a funcionária secamente, respondeu-lhe que só havia três senhas de tolerância, como já chamara a quarta, teria que tirar outra. Era o que faltava, outra. Não faz mal, trato na amarela, deve dar no mesmo, responde virando as costas e quase derrubando uma senhora que passava, apoiada numa bengala.
Dez minutos depois é chamado para o balcão da segurança social. Não, não pode pedir isenção. Já beneficiou por duas vezes. E o valor em dívida tem que ser pago. Pode pedir o pagamento em prestações. Para reclamar do valor, terá que apresentar certidão comprovativa do seu cadastro fiscal.
Dá um salto na cadeira. - Cadastro de quê?! Bossê tá tola ou quê?! (responde para a senhora que o atende)
- Cadastro fiscal, que terá que pedir nas finanças.
- Bamos a ber, - responde enquanto se levanta para se dirigir ao balcão da habitação social.
Coloca a papelada no balcão e encosta-se na cadeira. O empregado analisa papel por papel. Levanta os olhos e pergunta-lhe: E a declaração de IRS?
- IRS? Nunca meti, sou isento.
- A declaração de rendimentos é obrigatória, não posso receber o seu pedido.
- Mas parece que não compreende. Eu quero uma casa da câmara, ou quer que morar p’rá rua?!
- Entrega o processo quando tiver os documentos todos reunidos.
Enquanto espera ser chamado para o atendimento do e-fatura telefona ao amigo Toni.
- Tás bom pá? Tou aqui a tratar da cena da segurança social e da requisição de casa, mas os gajos tão mal dispostos e encrabam tudo. Oh! pá, espera aí por mim, que já não demoro. Só tou à espera p’ra ber as faturas.
Finalmente é atendido no serviço que parecia o menos demorado. Antes ainda de se sentar avisa a funcionária que o atende: - espero que me resolva isto, porque senão vai ver o que é um gajo mal disposto. Tenho várias questões.
Puxa de um papel do bolso e começa: - As faturas do passe do meu filho dão para as despesas de educação?
A funcionária pega num prospecto e entrega-lhe dizendo: - aqui tem a informação do que pode ser considerado como despesa para efeitos de IRS;
Mas o utente, não se dando por convencido, insiste: - mas dão ou não? É que se não dão bai haber problemas.
Olha para o papel e continua: - E as despesas gerais e familiares dão 250,00 euros para mim e outros 250,00 para a minha companheira?
- Sim. Se tiverem no e-fatura despesas suficientes poderão usufruir desse benefício no IRS. Mas tem aí a senha do portal, para lhe ajudar a ver se tem as faturas validadas?
- Senha? que senha? não são bocês aqui que tratam disso? Eu não tenho senha, sou isento. E não meto IRS. Mas ontem deu no telejornal que se as minhas faturas e da mulher forem inseridas até ao dia 15, podemos receber mais 250 euros cada um. E é isso que aqui estou a fazer. Bocê só pode estar a brincar.
- Não. O benefício é apenas para quem tiver declaração de IRS com imposto a pagar, ou com retenções na fonte em excesso para ter direito a maior reembolso.
Oh! menina, bem se bê que aqui não sabem o que fazem. Fique a saber que deu nas telebisões todas que vamos receber do e-fatura, qual declaração qual carapuça. Cambada de incompetentes é o que é. Se tivessem que andar cá fora, mas não... estão sentadinhos ali o dia todo. Vou às finanças, se lá não resolverem peço o livro de reclamações . E retirem os cartazes que têm aqui colados: “Administração aberta + Simples + Próxima - AMA é uma peça chave na estratégia do Governo para a modernização e simplificação administrativa.” Pegar o fogo a isto, era pouco, cambada...
@ag
 
 
 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

"Sabes, meu irmão, que em Anatôt,
Há uma amendoeira em flor carregada de esperança.
Sim, em Anatôt, de Anatôt, a amendoeira levanta-se
...
E planta-se no teu coração róseo-branco de criança.
Sim, em Anatôt, Foz Coa, Kilimanjaro, Lamego,
Aí mesmo no chão do teu coração,
Tanto faz, minha irmã, meu irmão.
Sai dessa reclusão
E vem expor-te
A este vendaval manso de graça e de perdão.

A amendoeira em flor é uma toalha branca estendida pelo chão.
Não pela minha mão,
Incapaz de tecer um tal manto de brancura,
Mas pela mão de Deus,
Que também faz brotar o vinho e o pão
E a ternura
No nosso coração"

D. António Couto, Bispo de Lamego

 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Vírgílio Ferreira

Se eu soubesse a palavra
,
a que subjaz aos milhões das que já disse,...
a que às vezes se me anuncia num súbito silêncio interior,
a que se inscreve entre as estrelas contempladas pela noite,
a que estremece no fundo de uma angústia sem razão,
a que sinto na presença oblíqua de alguém que não está,
a que assoma ao olhar de uma criança que pela primeira vez interrogou,
a que inaudível se entreouve numa praia deserta no começo do Outono,
a que está antes de uma grande Lua nascer,
a que está atrás de uma porta entreaberta onde não há ninguém,
a que está no olhar de um cão que nos fita a compreender,
a que está numa erva de um caminho onde ninguém passa,
a que está num astro morto onde ninguém foi,
a que está numa pedra quando a olho a sós,
a que está numa cisterna quando me debruço à sua borda,
a que está numa manhã quando ainda nem as aves acordaram,
a que está entre as palavras e não foi nunca uma palavra,
a que está no último olhar de um moribundo, e a vida e o que nela foi fica a uma distância infinita,
a que está no olhar de um cego quando nos fita e resvala por nós,
– se eu soubesse a palavra,
a única, a última,
e pudesse depois ficar em silêncio para sempre…

Vírgílio Ferreira

(nasceu em Melo, Beira Alta, a 28 de Janeiro de 1916).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Na saúde e na doença


Hoje trago um miminho para alegrar alguém que também me alegra em muitas ocasiões. Que se lembra de mim, mesmo nos dias em que preocupações maiores lhe perturbam o espírito.
A gratidão e o reconhecimento fazem parte da amizade, e a nossa é profunda e intensa. Assente em princípios de grande compreensão e ternura.

Sei da tua ansiedade, e também sei que não há motivos para ela.
Deixo-te as peónias de que eu gosto tanto e sei também gostarás.
@Maça de junho


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Muitas pessoas nos conhecem, mas poucas nos compreendem. Compreensão exige desapego, é muito mais profundo que conhecimento