domingo, 24 de junho de 2012

Bolo de iogurte

125 gr manteiga
250 gr açucar
250 gr farinha c/ fermento
2 iogurtes natural
4 ovos
foto:Mafaldinha

Unta-se uma forma de 22 cm/diametro com manteiga e polvilha-se com um pouco de farinha

1.Bater a manteiga com o açucar até ficar homogéneo e cremoso;
2.Juntar o iogurte, as gemas e a farinha peneirada (por esta ordem e mexendo sempre muito bem cada um dos ingredientes)
3.Incorporar levemente as claras batidas em castelo

4.Cozer em forno pré-aquecido a 180º durante 30 minutos, aproximadamente.

Notas: Um bolo muito leve, e muito apreciado por crianças.
Acompanha muito bem um lanche ou um chá
Servido com uma bola de gelado pode servir-se como sobremesa

Bom apetite!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Faltas-me

Há partes de mim
que não tenho.
tu as levaste
agora faltam elos
que nos prenderam
ficou um vazio em mim
que vais enchendo com trabalho
e com bocados
de mera casualidade.
A falta de ti
vem na brisa do ar da manhã,
lembrar-me
das horas que faltam
para te abraçar.
São muitas, mais de mil.
faltas-me

Maria Keil - foto da internet

Somos livros


segunda-feira, 11 de junho de 2012

ROMANCE

Ora pois: foi tal qual como vos digo:
Minha Mãe, certo dia, pôs a questão assim:
- ou Ela, ou eu!
E ficou resolvido que no dia doze
minha Mãe parisse,
e pariu!

Pariu e ninguém se opôs! Ninguém!
Como se fosse um feito glorioso
parir assim alguém, tão nu, tão desgraçado!
Por mim,
ainda disse que não!
Mas o seu Anjo da Guarda
era forte e tenebroso...
E aquele frágil cordão
Deixou de ser o meu Pão,
o meu Vinho
e a paz eterna do meu coração
mesquinho!...

Deixou de ser o silêncio
delicado e agradecido
dos meus instintos menores...
Deixou de ser o Norte daquele lago
onde boiava o meu corpo
sem alegria e sem dores...

Deixou de ser aquela verdadeira
e sagrada ignorância do meu nome,
que Satanás me disse, quando disse:
- Respira e come,
respira e come,
Animal!
(A voz de Satanás já nesse tempo
era humana e natural...)

Deixou de ser o mundo e foi um outro!
Foi a inocência perdida
E a minha voz acordada...
Foi a fome, a peste e a guerra!
Foi a terra
sem mais nada!

Depois,
sem dó nem piedade a vida começou....
Minha Mãe, a tremer, analisou-me o sexo,
e, ao ver que eu era homem,
corou...

Miguel Torga. O Outro Livro de Job (1936).

Pequeno Poema



Quando eu nasci,


ficou tudo como estava.


Nem homens cortaram veias,


nem o Sol escureceu,


nem houve Estrelas a mais...


Somente,


esquecida das dores,


a minha Mãe sorriu e agradeceu.


Quando eu nasci,


não houve nada de novo


senão eu.


As nuvens não se espantaram,


Não enlouqueceu ninguém...


Pra que o dia fosse enorme,


bastava


toda a ternura que olhava


nos olhos de minha Mãe...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Il Divo

"Amazing Grace" é um conhecido hino cristão composto pelo inglês John Newton e foi impresso pela primeira vez no Newton's Olney Hymns (1779).

O Amor não tem cura, mas é o único remédio para todas as doenças" (Leonard Cohen)

domingo, 3 de junho de 2012

Gosto de cozinhar


Adoro comidas, experimentar receitas, criar novos pratos e utilizar ingredientes novos e diferentes. Para mim a cozinha é um mundo mágico onde os sabores e os cheiros fazem-me recordar a infância e sonhar que sou feliz. Gosto essencialmente de cozinha portuguesa, mas gosto de juntar novos sabores e ingredientes. Inspiro-me muitas vezes nos livros, acho mesmo que o meu interesse despontou com Eça de Queirós.
Gosto muito de sopas, de peixe, de queijo, azeitonas, pão, sardinhas, de atum de conserva, de um bom presunto, alheiras com sabor a carne de galinha e de coelho, de favas, de maçãs e de pêras, de cerejas, ameixas, uvas e nêsperas. Adoro um copo de vinho e uma boa companhia, não dispenso um bom trecho de música. Nas sobremesas não resisto a um bom leite creme ou uma sobremesa com sabor a café. Relaciono sempre a comida com os amigos e uma boa conversa. Estou continuamente a aprender e a querer saber sempre mais, ando sempre a procurar novas receitas, novos ingredientes.
A comida serve para partilhar momentos, memórias e afectos com quem mais gostamos. Em todos os cozinhados coloco uns gramas de ternura, uma pitada de sonho e esperança q.b.



Sérgio Godinho - Bomba relógio


Todo o coração é uma bomba-relogio


domingo, 27 de maio de 2012

A vida e o que vai dentro dela


Por vezes a vida apresenta-nos situações dificeis. Poderão derivar de problemas profissionais, familiares, de saude, passionais, etc. Todos passam por alguma destas situações ao longo da vida, quando não por todas mesmo e quantos por todas em simultâneo ou em catadupa. Há pessoas que enfrentam todos os problemas da vida sem uma queixa, sempre com um sorriso, sempre amáveis, como se alheados do mundo. Outros ficam quase como que paralisados, sem energia, psicologicamente desfeitos. Outros ainda refletem essa dor, esse mal estar na sua fisionomia, na sua conduta diária, sendo menos atentos, demonstrando menos paciencia, quase sempre exasperados com tudo e com todos.


Eu também não sou imune a estas situações e esses dias gostaria de poder rasgá-los do calendário para não precisar enfrentar o mundo. Perde-se a esperança e a motivação para continuar, temos que ir procurar energia nova, sem sabermos onde, Procuramos aqueles que amamos e pensamos nos amam também. Mas muitas vezes é nestas horas que encontramos novas deceções, aqueles a quem buscamos não estão lá. Sentimo-nos os únicos no mundo a sofrer. O nosso problema ganha imensidão. 


Procuramos o silencio, mas o silencio também magoa. Procuramos uma palavra amiga, mas por mais amiga que seja não é a palavra certa, não é aquela a palavra que nos acalma.


Nestes dias, gosto de me sentir aquecida pelo sol, gosto de ir sozinha para a beira do rio ou do mar, ouvir o barulho da água e olhar o horizonte sem o ver. 


Por vezes sonho que estou protegida por um olhar superior, mas quando olho em redor sinto a solidão do momento, quase sempre choro, muito mesmo, e o sal das lágrimas deixa-me as faces coradas e ardentes. Faz com que me sinta viva e esse efeito é surpreendente pois ajuda a carregar uma nova energia e a conseguir enfrentar os novos e difíceis amanhãs que chegam.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Favas à minha moda



-Óptimo!... Ah, destas favas, sim! Ó que fava! Que delícia! (...)
- Pois é cá a comidinha dos moços da Quinta! E cada pratada, que até suas Incelências se riam... Mas agora, aqui, o Sr. D. Jacinto, também vai engordar e enrijar!” (favas à moda de Tormes) 
Eça de Queiroz, in A Cidade e as Serras



foto: Mafaldinha

Adoro favas. 
Mas tem que ser as favas inteiras em vagem com o grão e a casca. Quando fui a S. Martinho tive o privilegio de me oferecerem um saco com favas tenrinhas de Ordonho. Aproveitei para matar as saudades das favas. Souberam-me muito bem, cá  andei eu a comer favas durante alguns dias! 
Consolei-me!

900 gr de favas ainda em vagem das quais se retirou o fio
1,5l de agua a ferver
uma linguiça de carne em rodelas
2 dentes de alho
azeite qb
um pouquinho de farinha para polvilhar

Cozem-se as favas apenas em agua e sal. Escorrem-se muito bem. Leva-se a lume brando um tacho com o fundo bem tapado de azeite e dois dentes de alho picados grosseiramente. Deixa-se estalar suavemente apenas para soltar o aroma e junta.se as favas bem escorridas, envolve-se para absorverem o azeite e o aroma do alho e junta-se a linguiça em rodelas. Polvilha-se com um pouco de farinha e envolve-se bem sem deixar cozer e estão prontas a servir.

Quando a primavera enche a natureza








fotos: Mafaldinha