sexta-feira, 5 de abril de 2013

Inquietação

Na primavera flores. Eu gosto de flores, mas esta primavera demora, continua fria, chuvosa e triste. A minha imaginação adormeceu e aguarda que um sopro ou um beijo a avivem de novo. Eu que tanto me quero manter na luz, afastada da sombra que um eclipse de mim própria pode produzir. E ando assim à dias, ando pardacenta, acordo com as dores das árvores, apenas o tronco me sustenta de pé no chão. O meu espírito voa, lá fora por  horizontes que desconheço e procuro sem rumo certo. Apenas a inquietação e a serenidade, um ninho e um céu onde possa voar, inspiração e o vazio criador me bastariam, talvez!
Mas finalmente as tulipas começam a dar o ar da sua graça, na solidão dos ramos que as sustêm frágeis e breves passam pela vida cheias de cor e de beleza
E eu? Não, eu desta vez fico ...



Foto:Mafaldinha

terça-feira, 2 de abril de 2013

Certamente

São como a espuma das ondas
As tuas letras
Em cada poema um silvo de desejo
Que nada leva além do mar
Nem de amor louco pode apostar
Sem as palavras que encantam!
Belas de tanta ternura
Na voz dos amantes secretos
Nem as sílabas se repetem
Mas quando chegar ao cais
É lá que me encontras, amor!
Foto:Mafaldinha


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Rabiga em acção



Desafio nº39 
Em 77 palavras escrever um texto introduzindo a meio a frase: Afinal, era só um ovo de Páscoa

publicado no Blogue histórias em 77 palavras 
http://www.77palavras.blogspot.pt/

Havia migalhas por todo o lado e a formiga Rabiga na sua azáfama laboriosa ia empurrando um pedacito de encontro ao esconderijo, pelo carreirinho adiante. Afinal, era só um ovo de Páscoa! Há que aproveitar estes raios de sol que hoje aquecem o corpo e a alma confortada depois de tanta chuva, para repor as provisões, pensa ela toda animada. De repente um enorme obstáculo e o carreirinho desaparece. E daquele muro saía um cheirinho tão agradável….


Foto:internet



domingo, 31 de março de 2013

Páscoa

A quaresma terminou
E não cantam aleluias os corações
A Páscoa desce pelo mundo
Mas os mimos e a doçura não
Do céu cinzento não caem raios de sol
Quentes e a colorir o horizonte
E das mãos dos homens, vazias
Não saem soluções de esperança
Não há reanimação de vidas
Nem futuro, nem uma criação autêntica
Um compromisso nobre e honrado
E os panos de luto da Paixão
Permanecerão sobre o nosso céu.
A primavera surgirá com o despontar
de uma vida nova e renovada
Sem a arca de noé para salvar
Nem a humanidade nem a confiança
E só o diluvio será realidade
Nas circunstâncias da vida

Foto do museu de Florença

sábado, 30 de março de 2013

Horas

Quando as andorinhas regressam em doce chilreio
E no campo acordam os sentidos numa colcha de malmequeres
Há um riacho que canta saltando de pedra em pedra
E as nuvens tocam teus lábios com a sua sombra
Em cada adormecer  um sorriso e sonhar uma bem aventurança
E em cada aurora que nasce sentir a poesia numa gota de orvalho
Mesmo quando a alma sangra sentir a gratidão da noite
Assim é o amor
E amar? O que é amar? Porque se ama e como se ama?
Amar é não saber a razão e sentir uma doação ilimitada
E uma sede infinita de sonhar de novo.
E quando o tempo passa a saudade não passa, vai ficando ...
Todas as horas





sexta-feira, 29 de março de 2013

Poesia triste

A chuva caindo lá fora
na mansidão da noite
sorri bondade e ternura
no frio que surge
e sufoca num pedaço de manta
O sorriso que mente
enfeita a sombra do rosto
Não, nasce de um olhar
nesse lado escondido
de quem lê ...
Enviado de ti
apenas silêncio sem fim
E uma lágrima escorre
pelo vidro frio
de mim




quinta-feira, 28 de março de 2013

Folhas

Quando estou sozinha, nunca estou só, faço companhia a mim mesma
Leio a minha alma, oiço o meu coração e sinto o quanto é belo viver

Quantas vezes no meio da multidão, me sinto só, desprotegida,
Desabrigada, vasculhada, intimamente destapada.
Aí fico na sombra calada e triste, ali para mim ninguém existe

Mas quando estou a ler, por vezes avanço nas páginas do livro
E vou folheando as folhas do coração onde se calam as palavras
E construo o meu próprio sonho, vivo o que leio e sonho o que vivo

Um oceano não separa, é água de afetos que beija o teu rosto
Porque nós somos de onde deixamos cair a chave do sonho
A chave que guarda os nossos segredos

Páginas de um livro desfolhado na vastidão da alma
Folhas de uma noite de manhã calma onde um sorriso arde







segunda-feira, 25 de março de 2013

Mural

Quem colocou a lua suspensa no céu
Que gira e seduz na sua luz branca
Quem vai à noite acender a luz das estrelas
E quem pintou o céu de azul
Quem tricotou as nuvens de algodão
Quem enrolou os novelos de cores em volta do arco-iris
Sabes, eu acho que foste tu
Que vives entre o éden e o terror do mundo
Que vives entre o ter e o querer
Que amas o que não amas e procuras sempre a quem amar
Vejo as tuas lágrimas descerem das nuvens
E os teus olhos a contemplar o infinito
Sinto a tua alma perdida mesmo quando a escondes de mim
Aprendi a conhecer os sinais
Os sons e a ausência, a palavra e o pensamento
No que escreves e no papel em branco
Amigos ouvem-se na distância, escuto as tuas palavras quando há silêncio
Amigos quando se olham vêm a alma e quando não se vêm sentem-na
Amigos tocam a nossa vida com magia e trazem melodia no sorriso
Amigos voam juntos, mesmo quando não conseguem tocar a lua
Como agora!

Foto:internet




domingo, 24 de março de 2013

Desafio nº38


Primeiro que tudo, escrevam uma frase que tenha entre 5 e 8 palavras.
Por exemplo: Ao sair de casa nesse dia, sentia-se adormecido.
Escrevam agora as letras duas a duas, independentemente de fazerem ou não parte da mesma palavra!


O meu ficou assim!

JA+CH+EG+OU+AP+RI+MA+VE+RA+VI+VA

Já chegou a primavera, viva!
Já a fauna e a flora terrestres desabrocham em todo o seu esplendor.
Pegando na mitologia ou não, apercebemos-nos que a beleza espreita a natureza
O período da terra fecundada de sol e a beleza lânguida espalhar sob os nossos olhos as maravilhas da estação. Seduzindo-nos e deixando as serranias agrestes do inverno rejuvenescerem nas raízes vivas, nos cheiros, nos rumores e nas cores em que os campos são pintados de poesia.

Publicado no blogue: histórias em 77 palavras
http://77palavras.blogspot.pt/


Foto:Mafaldinha

Mareante

Num barco navego
Rumo a alto mar
Dentro levo sonhos
E sede de amar

Busco as coordenadas
Do teu coração
Nas cartas dobradas
Pela tua mão

Cartas de marear
Com ondas de alturas
Nesse mar imenso
Tem escala em lonjuras

E na estrela polar
Minha alma errante
Perde a tua  bússola  
Sempre mareante

Leva-me contigo
Não partas sem mim
Guardei o astrolábio
Numa caixa de marfim

Com o quadrante
Vês os azimutes
Do mastro à proa
Da rota imute

Na rosa dos ventos
Confio o meu temor
Tuas velas me protegem
Foto:internet
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quinta-feira, 21 de março de 2013

Se eu soubesse sonhar
Sonhava contigo de novo
Despida do poema que lês
Escreveria beijando as palavras
Como o orvalho beija
Manhãs primaveris