quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quando à noite adormeci

Quando à noite adormeci e sonhei. Velaste o meu sono e aqueceste a minha alma. Encontrei o sagrado, o espartano e o platónico amor em ti. O sagrado também é sábio. Mas mais que conhecer é sentir! Descobrir a vastidão profunda das paisagens internas O fogo  interno que dá luz e energia, mas que apenas depois de um bom repouso permite novas energias.
Boa noite
@Maça de junho





Foto: Bons sonhos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Impostos diretos versus impostos indiretos, uma dúvida que percorre o tempo


Um apontamento de um amigo despertou a minha curiosidade para a história e para o passado dos impostos. Em tudo há um passado, uma história e um percurso de sucesso ou de trevas, consoante a época e as necessidades do momento, e nos impostos também assim sucedeu ao longo dos séculos. Se abordássemos a questão dos impostos ao longo dos livros Bíblicos, raras seriam as exceções em que não se fale de tributo, de imposto ou de dízimo. No Antigo Testamento no livro de Génesis lê-se: “E Abraão deu-lhe o dízimo de tudo”. Também os imperadores Romanos e Júlio César em particular são pródigos na demanda dos impostos e dos tributos, e os seus soldados (publicanos) eram capazes de todas as crueldades para alimentarem a ganância e os privilégios.
Os impostos existiram em todas as sociedades na forma de reconhecimento ao sacerdote ou ao príncipe, pagando-lhe com a décima parte da colheita, cereais, fruta, vinho, azeite, lã, queijo, couro, mel, a oferta de primícias como precursor do imposto de renda.
Estudar impostos é uma disciplina nunca terminada, nunca verdadeiramente apreendida, em mutação e evolução constante. Todo o tipo de impostos me cativa, todos eles trazem sempre algo de novo e de estimulante, mas há um que supera tudo e todos. É o imposto sobre o rendimento. Gostaria de o perceber mais justo, mais equitativo, mais propiciador de redistribuição de riqueza, de amortizador de assimetrias, estimulante ao consumo e à poupança, propiciador de externalidades sempre que o custo marginal conseguisse atingir o ótimo social. Uma utopia, dirão alguns. Uma injustiça, a outros se poderá ouvir, geralmente aqueles que pagam sempre. Para um pagador de impostos, o imposto mais justo será sempre aquele que os outros pagam.
Mas voltemos à questão que me provocou a curiosidade, e que me levou a ler mais sobre as teorias dos impostos, melhor, fui ler a tese a que respeitava o apontamento. A tese em causa. Fiquei deslumbrada, quase tanto quanto uma criança ao descobrir o brilho das luzes de natal, ou quando recebe o presente mais desejado. Não imaginava a existência de um estudo tão singelo e ao mesmo tempo tão oportuno sobre a questão dos impostos diretos e indiretos, e sobre a forma de promoverem um orçamento equilibrado ou não, pela mão de um estudante português que em 1879 conhecia já as grandes teorias económicas sufragadas pela Europa, já então, industrializada, economicamente rica (alguns poucos países) e cujas monarquias decadentes rivalizavam com republicanos conhecedores da ordem democrática e sufragistas e socialistas utópicos na maior parte das vezes. Publica a sua dissertação defendendo que uma economia moderna que promove o aumento da produção e da riqueza, os impostos indiretos têm tendência a desaparecer, pois o progresso social disso se encarregará.
No advento do século XVIII e das lições de Adam Smith e de Montesquieu, serão os impostos indiretos e sobre o capital, aqueles de que as suas teses dão primazia em detrimento da importância suscitada pelos impostos diretos, contrariando as teses existentes.
Depois, fui procurar os estudos de Vauban que além de estratega e engenheiro militar também ficou conhecido e reconhecido pelas fortalezas militares, e que deu um contributo interessante e motivador de discussões e tratados ao defender que o imposto eficaz é o imposto direto sobre o rendimento. Em face da situação de penúria e fome em que vivia a população francesa, decorrentes das políticas de Colbert, Vauban escreveu o Dime Royale, onde introduziu o conceito de universalidade e de generalidade ao considerá-lo aplicável a todas as classes. Segundo ele, é uma obrigação natural dos súbditos de todas as condições contribuir na proporção do seu rendimento ou da sua indústria, sem que nenhum deles possa razoavelmente se eximir, acrescentando que o benefício da isenção de contribuição é injusta e abusiva. Propõe o pagamento sistemático sobre a produção a uma taxa progressiva variável de 5% a 10%. Substituindo assim os pesados impostos a uma única contribuição incidente sobre a matéria coletável.
Não ficou livre de críticas profundas e na maior parte vindas da Corte, onde não se pagavam impostos pela nobreza, pois segundo esta classe nobiliárquica « asseguram e servem o estado não terão de o manter».
Em Portugal existem registos de cobrança de impostos desde que D. Manuel I criou o real de água, em 1498, para o conserto de um poço em Elvas e construção de um aqueduto para abastecimento da cidade. Rápido foi a sua extensão a outras cidades e transações. Sabe-se da existência em Lisboa de um imposto sobre a limpeza das calçadas que ficou denominado por realete. Havia ainda o real sobre o consumo de vinho, carne, azeite, incidia um real sobre cada arrátel, canada ou medida usada.  
Em 1641 a tributação generaliza-se pelo reino, com a criação da décima militar, resultado do esforço feito com a Restauração de 1640, e ficando o país depauperado após o reinado dos Filipes, mas à medida que foi evoluindo o sistema fiscal, a tributação dos rendimentos foi criando impostos de vária ordem, e passou a ser feita através de um conjunto de impostos que se denominaram cedulares ou de produto. Além desta tributação parcelar (imposto de juros, imposto de renda, décima de propriedade), em 30/11/1963 pelo Decreto-Lei nº45399 foi ainda criado o imposto complementar, de sobreposição, tributando o conjunto de rendimentos conhecidos. Mais uma vez como contrapartida para amortecer o esforço que a guerra do ultramar exigia e para compensar as contas e a despesa do Estado.
Apenas com a reforma fiscal de 1988, foram criados autonomamente o imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e o imposto sobre o rendimento de pessoas coletivas, imposto de caráter único e progressivo, conforme exigido pelo nº1 do artigo 104º da Constituição da República Portuguesa, substituindo e extinguindo inúmeros impostos e contribuições.
Paradigmática é a expressão de Benjamim Franklin: nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos.

 Bibliografia:
Jean-Marc Daniel, Oito Lições de História Económica, 1954
Manuel Martins – Dissertação Académica para a cadeira de Finanças, 1879
Saldanha Sanches – O Imposto Complementar como Imposto do Rendimento (Revista Juridica, nº4 Mar/Maio de 1984)
Valentin Vasquez de Prada – História Económica Mundial, 1989

@Maça de Junho
@Maça de junho





domingo, 7 de dezembro de 2014

Bailarina

Não sou bailarina
Nem sei cantar
Apenas poemas te hei-de entoar

Peguei na cadência
E bailei em volta
Saltando no ar correria louca

Escutei a música
Entre o teu silêncio
E o som que vinha de outro desígnio

Bailei a minha vida
Sem passos deter
Apenas errantes de tanto sofrer

@Maça de junho



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Hora Mediterrânea

Mediterrâneo azul, verso ondulado 
Que recito sem ler, quando a memória
No velho palco volta a ser menina.
Oração decorada e dividida
Entre a Grécia perdida
E a presença latina.
Lago discreto de nereidas nuas
Volúpia de mortais e de imortais.
Transparência celeste liquefeita
Num leito repousante onde se deita
O sol dos quatro pontos cardeais.
in Miguel Torga, Diário VII
@Maça de junho
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1640 - Restauração


Os Conjurados foram um grupo de "valentes portugueses" que se organizaram clandestinamente durante o domínio dos espanhóis sobre Portugal. Um grupo constituído por cerca de quarenta homens, na sua maioria Nobres, cujo objectivo era o de destituir a Dinastia dos Filipes e proclamar um Rei português. DOS BRAVOS E DESTEMIDOS CONJURADOS (como ficaram conhecidos) QUE ARRISCARAM A VIDA PELA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL! O Palácio dos Almadas tornou-se então conhecido pelos acontecimentos históricos que nele se passaram, nomeadamente o papel de alguns membros da família Almada no movimento da Restauração de 1640. Hoje conhecido pelo Palácio da Independência ou Sociedade Histórica da Independência de Portugal. Por trás deste movimento houve ainda a persistência e influência de D. Luísa de Gusmão, junto do marido (inicialmente duvidava e receava as consequências) e a quem se deve a frase: Mais vale ser Rainha por uma hora que duquesa toda a vida!
Proclamado Rei de Portugal D. JOÃO IV - primeiro rei da quarta dinastia e o vigésimo primeiro rei de Portugal.

@Maça de junho

domingo, 30 de novembro de 2014

País real e cruel

Viviam num pequeno país. Real e cruel: impostos, desemprego, vergonha, desespero. Serviço público dizia-se. E os princípios? Compromisso com os cidadãos, integridade, respeito, transparência… Bem, esses estavam lá, muito bem escritos, sob a forma legal e impressos em letra bonita e papel de qualidade. Mas não passam disso. Um rol de meras intenções, para alguém cumprir, que não pelos políticos, entenda-se. Lembram-se nos discursos para esquecer rapidamente depois de eleitos. Foram quase felizes, num sempre muito pequeno. 

Desafio publicado em: histórias em 77 palavras
Terminar o texto com a frase: Foram quase felizes, num sempre muito pequeno

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@Maça de junho

sábado, 29 de novembro de 2014

Quadras a um amor ausente

Tenho a alma escura
Num eterno balouçar
Tu és um menino de bibe
Comigo sempre a brincar

O amor e a amizade
Guardados sempre em segredo
Encolhem-me o coração
Escondido, perdido de medo

Choro porque te quero
Choro porque te tenho
Choro porque a saudade
Cresceu e botou tamanho

Anda vamos correr
Brincar, amar outra vez
Balouçar a corda da vida
Ao alto como nos vês

Trago guardada na pele
O carinho a devoção
A tua voz me serena
Hoje e a todas as horas.

...
Serei tua bem amada!
@Maça de junho










terça-feira, 25 de novembro de 2014

Apenas se compreende se acreditarmos

Spe Deus: Discurso integral do Santo Padre no Parlamento Eur...: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vice-Presidentes, Ilustres Eurodeputados, Pessoas que a vário título trabalhais neste hemicicl...


O meu país é de fragas

...O meu país é de fragas,
E de muitas coisas pardas
Onde as serras inquietas e altas 

Adormecem ao relento 
entre suspiros de agonia e sobressaltos de dor.

…O meu país é de fragas
De pedras salgadas pelas lágrimas
Que caem dos olhos cansados,
Desprezados, humilhados,
Sem uma côdea de pão nem uma nesga de mar.

…O meu país é de fragas,
Graníticas ou xistosas, de calcário ou argila
Duras, cinzentas, frias, 
como gélidos os tempos
Marcados pela implacável indecência dos homens.

…O meu país é de fragas,
De pedras rubras de sangue
De nobres e valentes liberais
Descendentes de homens normais
Dos quais a memória é história.

…O meu país é de fragas,
De pedras que brotam da rocha
Parideiras, desincrustadas dos núcleos
De céu azul e flores, que à beira mar flutua
Na maré que o embala se deixa adormecer.

…O meu país é de fragas,
E quando acorda encontra apenas nevoeiro cerrado
Deixado pelos medíocres que teimam em fazer-se passar
Por elegantes e populistas democratas.
Prefiro o meu país de fragas…

@Maça de junho



sábado, 22 de novembro de 2014

Fraude diz ela!

Viajar na luz, ver o azul do dia, o brilho que emana do luxo, na rima: riqueza dá beleza.
Adorno vulgar da prole, que a árvore gera em magna vida. Favorável e de favor, longa é a fila que gere.
Um dia, na malha da lei, o furor afundou. Nem lua, nem luar no morno guindar da ilharga. 
Largar o avião e aguardar no inferno, a moral do reino. É alvorada e frio lá fora. Que mau!

História em 77 palavras sem usar as letras C P S T

@Maça de junho

Foto: Maçã de junho